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BCE assegura acordo para evitar perdas na dívida da Grécia

A autoridade monetária assegurou que não será forçada a aceitar perdas nas obrigações da Grécia compradas no mercado secundário, ao mesmo tempo que renuncia a realizar lucros com os títulos emitidos por Atenas.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2012 às 11:47
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O Banco Central Europeu (BCE) irá trocar a dívida grega por títulos que não serão incluídos na operação de redução do valor da dívida pública da Grécia, em que vão participar os credores privados da Grécia, noticiou hoje o "Financial Times".

O banco central detém dívida pública grega que comprou por 40 mil milhões de euros, segundo a publicação britânica. A autoridade liderada por Mario Draghi comprou os títulos a desconto no mercado secundário, com o objectivo de ajudar a serenar a instabilidade nos mercados de dívida e tem resistido a aceitar perdas no valor dessas obrigações, argumentando que isso ameaça a sua independência.

Este acordo constitui uma solução de compromisso para a autoridade monetária, que tem sido pressionada pelo FMI e privados a aceitar perdas na dívida grega que detém no balanço. O seu valor nominal estimado – aquele que é devolvido aos credores quanto as obrigações atingem a maturidade – é de 55 mil milhões de euros. Valor a que acrescem os juros previstos na emissão e que são pagos na forma de cupões periódicos.

As obrigações que o BCE comprou por 40 mil milhões de euros serão trocadas por títulos que não são susceptíveis de ser incluídos na operação de redução do valor da dívida pública grega.

Com isto, a autoridade monetária fica a salvo de que lhe sejam impostas perdas na dívida e entrega os lucros que potencialmente realizaria se detivesse a dívida até à maturidade. Ao mesmo tempo, esses resultados ficam ao serviço da reestruturação da dívida da Grécia.

Mario Draghi disse que o BCE, com sede em Frankfurt, que poderá transferir os lucros que realizar com a dívida da Grécia para os governos da Zona Euro, recorrendo aos bancos centrais nacionais para esse efeito. Os ganhos que a autoridade viesse a contabilizar durante os próximos três anos, a maturidade máximo dos títulos detidos pelo BCE, poderia ser tomada em linha de conta nos planos de ajuda para a Grécia, refere o FT.

O banco central pretende, assim, escapar ao envolvimento na redução do valor da dívida da Grécia, que está a ser pedido aos detentores de obrigações da Grécia, ao mesmo tempo que permite que os lucros que emergirem da sua exposição à dívida grega sejam usados na ajuda.

(Actualizada às 12h38 com mais detalhe.)
(Actualiza às 16h37 com mais detalhe.)
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