Economia BCE comprou 1,7 mil milhões de euros em dívida privada na primeira semana

BCE comprou 1,7 mil milhões de euros em dívida privada na primeira semana

A autoridade monetária efectuou compras de activos de bancos espanhóis, italianos, franceses, alemães e portugueses nos primeiros dias do programa de "covered bonds". Os analistas foram surpreendidos pela positiva com o volume de compras, mas apontam que pode ser insuficiente.
BCE comprou 1,7 mil milhões de euros em dívida privada na primeira semana
Reuters
André Cabrita-Mendes 27 de outubro de 2014 às 15:31

O Banco Central Europeu (BCE) comprou 1,7 mil milhões de euros em dívida privada na passada semana. O programa teve início no dia 20 de Outubro e as compras de "covered bonds" são mais um passo para a autoridade monetária travar a queda dos preços na Zona Euro e para colocar mais dinheiro a circular no mercado.

 

O balanço foi hoje divulgado pelo BCE, citado pela Bloomberg, com o banco central a comprar activos de bancos espanhóis, italianos, franceses, alemães e portugueses nos primeiros dias de compras. Este volume superou as compras de activos na primeira semana nos dois primeiros programas de compras de "covered bonds" do BCE.

 

Basicamente, o BCE procede à compra de activos que os bancos detêm, retirando assim peso do seu balanço para fazer com que chegue mais dinheiro à economia real, às famílias e às empresas.

 

As "covered bonds" são dívida garantida por empréstimos imobiliários ou empréstimos ao sector público. Este mercado vale 2,6 biliões de euros no total e o BCE já avisou que pretende aumentar o seu balanço até 1 bilião de euros. Depois de analisado o mercado, a autoridade monetária considera que existem 600 mil milhões de euros de "covered bonds" elegíveis para o BCE comprar.

 

"Isto é maior do que esperávamos. Estes números dizem-nos que o BCE está a ser agressivo na expansão da sua folha de balanços", disse à Bloomberg Agustin Martin do BBVA.

 

Até ao final do ano vai entrar em vigor o segundo programa de compra de activos: ABS ("asset-backed securities"). No entanto, este mercado é mais pequeno do que o de "covered bonds" valendo 400 mil milhões de euros no total.

 

Os analistas apontam, contudo, que a compra de activos privados pode não ser suficiente para estimular a economia europeia e pode ser necessário avançar para mais. "Tanto o programa ABS como o de 'covered bonds' têm problemas de liquidez e a quantidade que o BCE pode comprar é limitada", disse à Bloomberg Anatoli Annekov do banco Société Générale.

 

Estes dois programas de compras de activos vieram juntar-se à redução das taxas de juro de referência para mínimos históricos e ao programa TLTRO de empréstimos a baixos juros aos bancos do euro. Tudo com o objectivo de estimular a economia da Zona Euro e travar a deflação na região.

 

A Alemanha já veio a público mostrar-se contra estes programas, com o presidente do Bundesbank à cabeça. "Existe o risco da política monetária, em particular na Zona Euro, ser tomada refém pela política", disse Jens Weidmann no início de Outubro em entrevista ao Wall Street Journal.

 

O início do programa foi bem recebido pelos mercados. Os juros da dívida soberana recuaram na semana passada tanto nos periféricos como nas maiores economias. Isto enquanto as principais bolsas europeias valorizaram devido às subidas das cotadas de banca, as maiores beneficiárias deste programa.




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