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BCE rejeita plano da Grécia para ir buscar 10 mil milhões aos mercados

A Grécia tem um tecto máximo de 15 mil milhões de euros em emissões de dívida de curto prazo. No entanto, este limite já foi atingido e Atenas pretende agora aumentar este tecto para os 25 mil milhões para ter dinheiro enquanto negoceia com os parceiros europeus Mas o BCE não pretende dar luz verde ao plano, avança o Financial Times.

Reuters
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 19:39
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A Grécia pretende ir aos mercados buscar 10 mil milhões de euros. O Governo de Alexis Tsipras quer ter dinheiro disponível enquanto procura uma solução para o futuro da Grécia e da sua dívida. Mas o plano de Atenas não é visto com bons olhos pelo Banco Central Europeu (BCE), como conta o Financial Times esta terça-feira, 3 de Fevereiro.

 

Actualmente, a Grécia tem um tecto máximo de 15 mil milhões de euros em emissões de bilhetes do tesouro, dívida de curto prazo, conforme acordado com os credores internacionais. Este limite já foi, no entanto, atingido e Atenas pretende agora aumentar este tecto em 10 mil milhões de euros.

 

Com efeito, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, propôs aos responsáveis europeus aumentar este tecto para os 25 mil milhões de euros. Atenas ficaria assim com dinheiro para pagar as suas contas nos próximos três meses, enquanto está sentada à mesa com os parceiros europeus. É um "empréstimo ponte" que vai permitir manter as contas públicas gregas em dia, até ser alcançada uma solução definitiva.

 

Mas o objectivo de Tsipras e Varoufakis poderá esbarrar no BCE, que não está disposto a dar luz verde a esta emissão de dívida. Isto mesmo foi avançado ao Financial Times por três responsáveis europeus, que estão actualmente envolvidos no processo.

 

"O plano grego depende inteiramente do BCE", disse uma das fontes. "O BCE vai jogar de forma dura". Se a proposta não for aceite - e se a Atenas não chegar a acordo com os parceiros europeus -,  os cofres gregos correm o sério risco de ficarem vazios depois do dia 28 de Fevereiro, quando a extensão do programa de assistência europeu terminar.

 

A Grécia apresentou no domingo, 1 de Fevereiro, este pedido para emitir 10 mil milhões de euros em dívida de curto prazo. O pedido foi feito em Paris quando Yanis Varoufakis se reuniu com o seu homólogo francês, Michel Sapin, e com o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, Pierre Moscovici.

 

Segundo o jornal grego Kathimerini, a decisão vai precisar da luz verde, não só do BCE, mas também da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que constituem a troika dos credores internacionais.


Além da emissão de 10 mil milhões de euros de dívida, a Grécia também pretende receber 1,9 mil milhões de euros que o BCE iria transferir ao abrigo da renúncia de lucros potenciais com dívida grega.

 

Segundo um acordo firmado em 2012, este dinheiro já deveria ter sido devolvido a Atenas, mas ainda não foi. Uma fonte comunitária avançou ao FT que "sem condições" a cumprir por parte de Atenas, o dinheiro não será devolvido.

 

Yanis Varoufakis veio ontem a público pedir um "empréstimo ponte", mas de valor inferior: de 1,9 mil milhões de euros para os próximos quatro meses, valor que disse coincidir com a transferência do BCE. Paralelamente, disse estar disposto a prescindir da última tranche dos parceiros europeus no valor de 7,2 mil milhões de euros.

 

Apesar da pressão de vários líderes europeus, a Grécia continua a rejeitar uma extensão do programa europeu. Isto mesmo foi reiterado por Yanis Varoufakis num encontro com banqueiros na segunda-feira em Londres. "Ele foi muito claro que eles não vão pedir por uma extensão", confidenciou um banqueiro ao FT.

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