Justiça BCP diz que Carlos Silva não tem local de trabalho nas instalações do Banco

BCP diz que Carlos Silva não tem local de trabalho nas instalações do Banco

O tribunal que julga o processo "Operação Fizz" quis notificar o vice-presidente do Millennium/BCP Carlos Silva para depor quinta-feira como testemunha, tendo o BCP respondido que ele não dispõe de local de trabalho em instalações do banco.
BCP diz que Carlos Silva não tem local de trabalho nas instalações do Banco
Lusa 06 de fevereiro de 2018 às 20:12

"Dando-se o caso de o Dr. Carlos Silva ser administrador não executivo do BCP, não dispõe de local de trabalho em instalações deste Banco. Acresce que o Dr. Carlos Silva reside em Angola, desconhecendo o Banco se o mesmo se deslocará proximamente a Portugal, pelo que não existem condições para, num período de tempo previsível lhe entregar pessoalmente a notificação recebida", respondeu na segunda-feira o BCP à tentativa de notificação postal enviada pelo Tribunal da Comarca de Lisboa.

 

Segundo documentação a que a agência Lusa teve acesso, o BCP solicita ao tribunal que "seja dada como não feita a notificação", sugerindo que a mesma possa ser dirigida para a morada de Carlos Silva que, segundo os registos do Banco, se localiza numa casa em Talatona, Luanda Sul, Angola.

 

Em relação ao mesmo vice-presidente do BCP, também presidente do Banco Privado Atlântico (BPA), o secretariado do Milllennium/BCP faculta, na resposta enviada ao tribunal, o endereço de e-mail de Carlos Silva para, caso o tribunal assim o entenda, enviar cópia da notificação em causa.

 

O BCP esclarece que a notificação registada dirigida a Carlos Silva foi recebida em 31 de Janeiro no Porto pelos serviços centrais de correio do BCP, tendo a mesma sido remetida em 02 de Fevereiro para o secretariado da Sociedade Millennium, que na segunda-feira respondeu ao tribunal, situado no Campus da Justiça, Lisboa.

 

A sessão de julgamento de segunda-feira do processo 'Operação Fizz' ficou marcada pelo episódio da tentativa falhada de notificar Carlos Silva, tendo o advogado do assistente no processo, Luis Rolo, considerado a atitude do banco uma "desconsideração e uma falta de respeito para com o tribunal" e pediu que o Banco de Portugal fosse informado do sucedido. 

 

O processo 'Operação Fizz' tem por base acusações ao ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente de ter corrompido o ex-procurador Orlando Figueira com o pagamento de 760 mil euros para que arquivasse dois inquéritos, um deles o caso 'Portmill', relacionado com a aquisição de um imóvel de luxo no empreendimento Estoril-Sol.

 

O ex-procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) está pronunciado por corrupção passiva, branqueamento de capitais, violação de segredo de justiça e falsificação de documentos, o advogado e arguido Paulo Blanco por corrupção activa em co-autoria, branqueamento também em co-autoria, violação de segredo de justiça e falsificação de documento em co-autoria e o engenheiro Armindo Pires, também em co-autoria, por corrupção activa, branqueamento e falsificação de documento.

 

Armindo Pires é amigo de longa data do antigo presidente da Sonangol Manuel Vicente, que o tribunal ainda não consegui notificar como arguido e acusado na 'Operação Fizz', tendo no início do julgamento decidido separar o processo do ex-vice-presidente angolano do dos restantes arguidos.

 

Na sexta-feira, o tribunal decidiu emitir um mandado de detenção para notificar Manuel Vicente em Portugal, no pressuposto de que este estaria em território nacional, o que não se veio a confirmar. A iniciativa motivou críticas dos advogados de defesa do antigo presidente da Sonangol e um pedido de apuramento de responsabilidades.




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