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Bélgica vende dívida com taxas mais baixas desde início do euro

Os custos de financiamento da Bélgica desceram para o valor mais baixo desde que o euro existe. É mais um país da Zona Euro a conseguir negociar taxas de juro implícitas mínimas durante o período da crise da dívida.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 03 de Setembro de 2012 às 13:19
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A Bélgica juntou-se ao grupo de países da Zona Euro que consegue emitir títulos de dívida com as taxas de juro implícitas mais baixas desde que o euro foi criado.

Num leilão de dívida que se realizou nesta segunda-feira, a agência de dívida belga vendeu perto de 3,2 mil milhões de euros em títulos com maturidades entre sete e 29 anos, de acordo com os dados disponibilizados pela agência Bloomberg.

O tesouro vendeu 1,08 mil milhões de euros em obrigações com maturidade a dez anos. A média das rendibilidades pedidas pelos investidores baixou de 2,624%, registada no leilão de 30 de Julho, para 2,584%, na emissão desta segunda-feira. Os investidores nunca tinham pedido uma taxa de juro implícita à dívida belga tão baixa como aquela que foi hoje praticada.

Também no que diz respeito às obrigações que vencem em 2041, ou seja, daqui a 29 anos, o tesouro belga conseguiu negociar taxas nunca antes praticadas desde a fundação do euro. A Bélgica vendeu 705 milhões de euros em obrigações com esta maturidade a uma taxa de juro implícita de 3,445%, abaixo dos 4,158% praticados no último leilão em Fevereiro.

O país governado por Elio Di Rupo (na foto) estreia novos mínimos no que diz respeito às rendibilidades pedidas pelos investidores, que representam, ao mesmo tempo, os custos que o Estado suporta para emitir dívida. Ou seja, os custos de financiamento da Bélgica nunca foram tão baixos numa emissão com estas maturidades como a desta segunda-feira.

Na Zona Euro tem havido duas movimentações distintas nas emissões de dívida. Por um lado, os países com uma estrutura económica mais débil enfrentam maiores custos de financiamento, custos esses que obrigaram já várias economias a pedir resgates para evitarem a entrada em incumprimento. Aconteceu com a Grécia, Irlanda e Portugal. Espanha e Itália também enfrentam dificuldades e fala-se na possibilidade de Espanha também necessitar de um resgate integral e não só à banca, como já está acordado até este momento.

Por outro lado, há países que têm passado pelo movimento contrário. À medida que pediam taxas de juro implícitas mais elevadas para negociar títulos de dívida espanhola ou italiana, os investidores aceitavam rendibilidades mais baixas para deter títulos de dívida de economias como a Alemanha ou dos países nórdicos.

A crise da dívida levou os investidores a procurar obrigações que lhes confiram segurança face a um eventual colapso da economia europeia ou global. Um receio que conduziu os investidores a aceitarem as “yields” mais baixas de sempre apenas para deter aqueles títulos. Esta segunda-feira foi a vez da Bélgica, que chegou a ser apontada como uma possível vítima do contágio da crise da dívida quando esteve mais de um ano sem governo, a experimentar rendibilidades mínimas desde que o euro foi criado.

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