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Berlim rejeita exigência de Atenas sobre reparações da II Grande Guerra

Sigmar Gabriel, líder do SPD e número dois do Governo alemão, diz que o tratado que fechou as divergências sobre as reparações da II Guerra Mundial foi ratificado por todos os Estados relevantes há 25 anos. Já Alexis Tsipras diz que é "obrigação moral" da Grécia reabrir o dossier. Em Atenas, alimenta-se a expectativa de uma indemnização gigantesca: de 162 mil milhões de euros, o equivalente a metade da actual dívida pública do país.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2015 às 17:02
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Sigmar Gabriel, líder do SPD, ministro da Economia e número dois do Governo alemão liderado pela chanceler Angela Merkel (CDU), respondeu nesta segunda-feira, 9 de Fevereiro, que a probabilidade de reabrir as negociações sobre as reparações da II Guerra Mundial é "zero".

 

Questionado pelos jornalistas, na sequência da afirmação do novo primeiro-ministro grego, segundo o qual é uma "obrigação moral" fazer a Alemanha pagar indemnizações pelas vítimas gregas do nazismo, Gabriel respondeu que o chamado "Tratado Dois mais Quatro" selou a paz e as reparações de guerra, depois de ter sido assinado em Setembro de 1990 ainda pelas duas Alemanhas (ocidental e oriental), pouco antes da reunificação alemã.

 

A Alemanha nega, portanto, ter qualquer dívida para com a Grécia, a quem pagou  115 milhões de marcos alemães, em 1960, numa das 12 ofertas de compensação guerra que assinou com países ocidentais.

 

Já Atenas argumenta que sempre considerou essa parcela como um pagamento inicial, afirmando que tinha a expectativa de que o resto das suas reivindicações fossem discutidas após a reunificação alemã.

 

De acordo com os números que circulam em Atenas, o total das eventuais reparações solicitadas poderá atingir 162 mil milhões de euros, cerca de metade da gigantesca dívida do país. Por sua vez, o empréstimo forçado concedido à Alemanha nazi durante a ocupação (1941-1944) está calculado em 11 mil milhões de euros.

 

"Todos estes assuntos ficaram definitivamente resolvidos em termos jurídicos com o Tratado 'Dois mais Quatro", insistiu Sigmar Gabriel, lembrando que este também foi aprovado pela Grécia. "Prosseguir neste caminho não beneficia ninguém", sublinhou.

 

Em paralelo, um porta-voz do ministério das Finanças alemão assegurou hoje em conferência de imprensa que não existe "nada de novo" do lado de Berlim sobre esta questão. Já o porta-voz adjunto da chanceler, Georg Streiter, assinalou durante a mesma conferência de imprensa que existe "uma diferença entre um discurso de política geral para o povo grego e desencadear medidas a nível internacional", e que até ao momento o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, se limitou a exprimir a sua opinião sobre o assunto.

 

O assunto já havia sido levantado pelo anterior governo de Antonis Samaras que, quase 70 anos depois da saída das tropas de Hitler do país, avisou que queria que fossem reavidos o que calcula agora representar mais de 162 mil milhões de euros em reparações de guerra não pagas na totalidade pela Alemanha - com juros de mora.

 

A Alemanha e a Grécia partilham uma história complexa que tem complicado o debate sobre a dívida. A Grécia foi ocupada por tropas alemãs na II Guerra Mundial, e esse passado ressurgiu desde que o país foi forçado a implementar reformas difíceis, em troca de ajuda financeira, essencialmente financiada por parceiros da zona do euro.


Escreve a Reuters que muitos gregos culpam a Alemanha pela austeridade, levando ao renascimento de reivindicações latentes contra Berlim. Esse passado longínquo foi ressuscitado na semana passada pelo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, que, em Berlim ao lado do seu homólogo Wolfgang Schäuble, lembrou que a terceira maior força política grega é agora a extrema-direita do  Aurora Dourada, pelo que a Alemanha tem de ajudar a Grécia a evitar uma depressão económica como a que nos anos 30 antecedeu a ascensão de Hitler.

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