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Berlusconi quer governo da direita com 5 Estrelas. Di Maio e Salvini querem primazia

O ex-primeiro-ministro disse numa entrevista que é favorável à formação de um governo entre a aliança de centro-direita e o Movimento 5 Estrelas. A coligação de direita está de acordo em atribuir a presidência da Câmara dos Deputados ao 5 Estrelas.

Massimo Pinca/Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 21 de Março de 2018 às 16:53
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Numa altura em que se aproxima o primeiro momento-chave para perceber até que ponto as eleições gerais de 4 de Março poderão produzir um novo governo em Itália, Silvio Berlusconi veio defender uma aliança entre a coligação de centro-direita e o Movimento 5 Estrelas.

 

Em entrevista publicada esta quarta-feira, 21 de Março, pelo La Repubblica, o ex-primeiro-ministro transalpino e líder do Força Itália (FI) mostrou-se a favor de um entendimento entre as forças de centro-direita (FI, Liga de Matteo Salvini e Irmãos de Itália de Giorgia Meloni) que concorreram coligadas às eleições e o 5 Estrelas. Apesar de o partido individualmente mais votado ter sido o 5 Estrelas de Luigi Di Maio, a coligação pré-eleitoral de direita obteve a maior percentagem de votos.  

 

No entender de Berlusconi, estas forças deveriam aliar-se para formar um governo com apoio parlamentar maioritário e uma "agenda pré-determinada" capaz de responder aos desafios primordiais que o país tem pela frente: economia, trabalho, imigração e segurança.  

 

Como tal, Berlusconi disse ter instado Salvini (a Liga foi a força mais votada da aliança de direita) a procurar forjar um acordo com o partido anti-sistema 5 Estrelas.

 

Até agora tanto Di Maio como Salvini têm insistido na respectiva legitimidade para liderar o próximo governo. O primeiro argumenta que o 5 Estrelas é a força mais votada e o segundo nota que é a coligação de direita que dispõe de mais assentos em ambas as câmaras do parlamento transalpino (Câmara dos Deputados e Senado).

Matteo Salvini reiterou esta semana que é ele quem deve liderar o próximo governo, contudo admitiu que, falhando o plano A, o "interlocutor" do centro-direita é Di Maio. O La Stampa escreve hoje que Salvini vai apelar ao "sentido de responsabilidade" do 5 Estrelas para que Di Maio apoie um executivo protagonizado pela direita.

Se não conseguir o apoio, Salvini estará disposto a dar espaço para que Di Maio tente formar governo, havendo margem para negociar um programa e um elenco governativo entre a direita e o 5 Estrelas. Contudo, as diferenças programáticas tornam complexa esta possibilidade.

A pensar já num terceiro cenário, Meloni sugere a Salvini uma alternativa e pede desde já que este tenha um nome na manga. A líder do Irmãos de Itália rejeita que o xadrez político italiano fique reduzido a dois cenários - ou governo liderado pela Liga ou pelo 5 Estrelas - e quer que seja indicado um nome alternativo capaz de promover uma convergência entre as duas áreas políticas. Certo é que nenhum governo com apoio maioritário poderá ser formado sem o "sim" de Salvini ou Di Maio. 

Direita chega a acordo para liderança das câmaras do parlamento


Entretanto, esta quarta-feira os partidos da aliança de direita reuniram os respectivos líderes para discutir as candidaturas à liderança de ambas as câmaras do parlamento, cuja votação decorre na próxima sexta-feira, 23 de Março.

 

Este é considerado o primeiro momento que permitirá perceber a nova geometria parlamentar. Desde logo porque os deputados podem inscrever-se em grupos parlamentares distintos daqueles pelos quais foram eleitos e também porque perceber-se-á que tipo de alianças serão ou não feitas para garantir a eleição do presidente da Câmara dos Deputados e do Senado.

 

Depois da reunião de hoje entre Salvini, Berlusconi e Meloni, a aliança de centro-direita "propõe aos líderes dos grupos parlamentares um caminho institucional comum que permita à coligação vencedora (o centro-direita) escolher o presidente do Senado e ao primeiro grupo parlamentar (o 5 Estrelas) escolher o presidente da Câmara [dos Deputados]".

 

Os partidos da direita propõem ainda que o conjunto das forças políticas com representação parlamentar se reúnam amanhã (22 de Março) com o objectivo de consensualizar um nome para líder da câmara alta.

 

A proposta que consta de um comunicado citado pelo La Repubblica mostra que Berlusconi recuou depois de ter exigido a Salvini a partilha entre a Liga e o FI das lideranças das duas câmaras do parlamento. Este é um novo revés para Berlusconi, que viu a Liga superar o Força Itália nas eleições, o que conferiu a Salvini a primazia à direita.

Só depois de formado o novo parlamento e eleitos os líderes de cada uma das câmaras é que o presidente Sergio Mattarella poderá iniciar a fase de auscultação aos líderes partidários com vista à escolha de um candidato a primeiro-ministro. 

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