Política Bloco critica Governo pelo atraso na regularização de precários na função pública  

Bloco critica Governo pelo atraso na regularização de precários na função pública  

O Bloco de Esquerda (BE) criticou hoje os atrasos do Governo na regularização de trabalhadores precários na função pública e defendeu que os concursos para a colocação devem ser abertos até final de Março.
Bloco critica Governo pelo atraso na regularização de precários na função pública   
Lusa
Lusa 06 de março de 2018 às 14:37

A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, esteve hoje reunida com um grupo de bolseiros e investigadores precários da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que explicaram os seus problemas aos deputados bloquistas.

 

Os concursos para a colocação dos precários, sublinhou Catarina Martins, "deviam ter aberto até meados de Fevereiro" e não se sabe quando isso acontecerá, mas o Bloco coloca um calendário, até ao fim mês.

 

"Até ao fim do primeiro trimestre os concursos têm de abrir", disse a coordenadora e deputada do BE, na véspera de uma interpelação ao Governo, na quarta-feira, no parlamento, sobre os atrasos na aplicação do PREVPAP - Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública.

 

E alertou para os efeitos dos atrasos, dado que há pessoas que, com parecer positivo da comissão de avaliação, "ficaram num vazio", sem trabalho e nem ordenado.

 

"São os serviços [públicos que ficam] sem as pessoas de que precisam e as pessoas sem os salários de que precisam para viver", acrescentou.

 

Catarina Martins afirmou não acreditar que o PS, partido do Governo, com o apoio parlamentar à esquerda, do PCP, BE e PEV, não leve este processo até ao fim e que deverá levar 38 mil pessoas a ter vínculo na função pública.  

 

"Se este processo não acontecer para estas pessoas quereria dizer que o PS estava a boicotar a própria a lei que negociou e aprovou no parlamento. Nós não queremos acreditar que assim seja", sublinhou.

 

A coordenadora bloquista prometeu fiscalizar e "continuar a exigir que este processo avance", face às promessas do executivo de fazer cumprir a lei e a abertura de concursos ao longo do ano. 

 

Para os bloquistas, "combater a precariedade tem que ser uma das conquistas políticas mais importantes deste tempo", até pelos efeitos secundários que tem na economia.

 

Porque "se o Estado for o primeiro a dar o exemplo", a "ter precários em vez de contratos e vínculos permanentes" quando se trata de postos de trabalho permanentes, "está a dizer que a precariedade é a norma", acrescentou.

 

Para Catarina Martins, "a situação é preocupante em todas as áreas" quanto à regularização de precários e "muito preocupante" em duas, nas autarquias locais e no ensino superior.

 

Nas autarquias, "o PS tem votado contra a regularização de trabalhadores precários", acusou, considerando a situação "inaceitável pelo acordo que existe" e que levou à aprovação da lei que permite a vinculação, depois de uma avaliação e mediante concurso.

 

"Muito preocupante" é também no ensino superior e nas universidades, como a que visitou, hoje de manhã, a Universidade Nova de Lisboa.

 

"O país não pode achar normal que uma das suas maiores faculdades tenha apenas dois investigadores no quadro. Quando uma universidade não tem investigadores, não é universidade", disse.  




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mais votado Anónimo 06.03.2018

Em todas as economias desenvolvidas há salários que têm por base talento e têm por objectivo a criação de valor. Esses salários têm procura de mercado e atraem diversas combinações de capital e recursos naturais de modo a gerar produção. Há também, salários que tendo ou não talento por base, não criam qualquer valor. Esses salários não têm procura de mercado e são subsidiados por contribuintes e consumidores. No universo do Estado, e em especial em arranjos político-legais como o instituído em Portugal ou Grécia, esses salários subsidiados, sem procura e que em vez de criarem valor se limitam a extraí-lo, tendem a ser muito frequentes e eternamente protegidos. São efectivamente blindados à prova de mercado ou avanço tecnológico. A crise portuguesa e grega foi tão somente o agudizar desta triste realidade levada ao extremo. Pior só na Coreia do Norte da década de 1990, votada à fome, e na Venezuela madurista.

comentários mais recentes
pertinaz 07.03.2018

CALADINHA MENINA... QUEM MANDA É O PS...!!!

Anónimo 06.03.2018

Esta coitadinha como não tem voto na materia a unica maneira de ser publicado o nome e foto è a contar babuzeiras nem diz o que sabe nem ela propia sabe o que diz , è uma tristeza para todos nòs e para o paìs ter pessoas destas no governo tinha que ser um governo socialista para ter incompetentes

Anónimo 06.03.2018

É preciso alertar a sociedade e educar os políticos portugueses mais distraídos para os perigos e falácias subjacentes ao pensamento único eleitoralista que não se apercebe que distribuir salários e benefícios a privados que não passem pelo crivo regulador e orientador das forças de mercado é tão mau para a sustentabilidade do Estado, incluindo o Estado de Bem-Estar Social, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade, como distribuir subsídios e adjudicações a privados obedecendo à mesma lógica discricionária, e vice-versa. Sindicalismo selvagem de compadrio e capitalismo selvagem de compadrio são uma e a mesma coisa e encerram em si as sementes do mesmo mal cujos frutos são pobreza, subdesenvolvimento, injustiças e insustentabilidade que transformam aquilo que poderia ser um luxuriante e frondoso pomar numa tenebrosa mata de dependência e crise.

Anónimo 06.03.2018

O excedentarismo, ou sobrealocação de factor produtivo trabalho, sempre ditado pelas reais condições de oferta e procura de mercado, não tem sector, organização ou pátria. Existe é quem tenha a seriedade e discernimento para o detectar, denunciar e combater, criando por essa via valor e acumulando riqueza, e quem não tenha essa seriedade e discernimento. As economias escandinavas, não estranhamente, são dotadas dessa seriedade e discernimento. O Modelo Nórdico e até o modelo Anglo-Saxónico assentam nela.

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