Finanças Públicas Bloco e PCP defendem que aumento do salário mínimo podia ter ido além dos 600 euros

Bloco e PCP defendem que aumento do salário mínimo podia ter ido além dos 600 euros

Tanto o Bloco de Esquerda como o PCP consideram que a subida do salário mínimo para os 600 euros, apesar de positiva, fica aquém do que é necessário.
Bloco e PCP defendem que aumento do salário mínimo podia ter ido além dos 600 euros
Bruno Colaço
Negócios com Lusa 07 de dezembro de 2018 às 17:45
O aumento do salário mínimo para 600 euros a partir é uma medida positiva, contudo insuficiente. É esta a opinião do Bloco de Esquerda e do PCP ao anúncio, pelo Governo, da subida do salário mínimo nacional em 2019.

O BE considerou hoje positivo o aumento do salário mínimo nacional e do salário base da administração pública anunciados pelo Governo que, "infelizmente", não teve vontade de "ir mais além". "São medidas positivas, mas poderiam ter ido mais além. Infelizmente, o Governo não teve essa vontade", resumiu o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, em Lisboa.

O deputado bloquista lembrou que a proposta de aumento do salário mínimo nacional para 600 euros foi uma das propostas que o BE "colocou em cima da mesa das negociações, em 2015, que muitos diziam que era irrealizável".

"Provou-se não só realizável como até tínhamos condições para ir mais além, apesar do Governo não ter tido essa vontade, ter cumprido pelos mínimos esse acordo", argumentou ainda.

O mesmo, disse, aconteceu com os aumentos na administração pública, porque o Governo os "iniciou este ano dizendo que não haveria margem para aumentos".

"Teve de recuar porque provámos e demonstrámos que era possível haver aumentos, porque a condição económica do país estava melhor, as contas públicas estavam melhores", sublinhou, considerando que "mais uma vez a pressão feita à esquerda resultou positivamente para os trabalhadores". Contudo, criticou Pedro Filipe Soares, "mais uma vez o Governo cumpriu pelos mínimos aquilo que poderia ter ido mais além".

Já o PCP "valoriza" a subida do salário mínimo, contudo nota que "continua a ficar aquém do que seria necessário", disse hoje a deputada comunista Rita Rato.

Num comentário ao anúncio do executivo, no parlamento, a deputada afirmou que "o PCP valoriza a subida do salário mínimo, que é inseparável da luta dos trabalhadores".

Este aumento, porém, "continua a ficar aquém do que seria necessário, que era a consagração dos 650 euros, já a partir de Janeiro de 2019", que foi proposto pela bancada comunista, no parlamento, acrescentou.

"Seria um valor que se coaduna com a melhoria das condições de vida dos trabalhadores porque são salários que, com os descontos, continuam a ficar abaixo do necessário, dos 600" euros líquidos, argumentou, prometendo continuar a "bater-se pelo aumento geral dos salários de todos os trabalhadores".

Já quanto ao aumento no nível mais baixo de remuneração da administração pública de 580 euros para 635 euros, também proposto pelo executivo, Rita Rato afirmou que "decorre da aplicação das regras da progressão nas carreiras".

O Governo propôs hoje que o valor do salário mínimo nacional seja fixado nos 600 euros a partir de 1 de Janeiro de 2019, segundo uma proposta entregue na reunião da Concertação Social.

"Este valor representa um aumento nominal de 3,4% face a 2018, que se traduzirá numa valorização real na ordem dos 2,1%, de acordo com a inflação prevista no cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2019 (OE2019)", adianta o Governo no documento.

O salário mínimo nacional é actualmente de 580 euros.



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