Emprego Brasil quer contratar médicos portugueses para trabalharem nas zonas mais pobres

Brasil quer contratar médicos portugueses para trabalharem nas zonas mais pobres

O salário mensal é de 8.000 reais (cerca de 3.000 euros), mas exige-se que o posto seja ocupado durante pelo menos três anos. Isto para evitar que transitem em pouco tempo para as grandes cidades.
Brasil quer contratar médicos portugueses para trabalharem nas zonas mais pobres
Carla Pedro 17 de maio de 2013 às 17:16

O Brasil pretende contratar médicos do estrangeiros, sobretudo de Portugal, Espanha e Cuba, para trabalharem nas regiões pobres do interior do país, “para onde os médicos locais não gostam de ser transferidos”, refere o jornal “El País”.

 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil não está de acordo com esta iniciativa governamental, tendo ontem avançado com um pedido, na Procuradoria-Geral da República (PGR), para que os ministros da Saúde, Educação e Relações Exteriores – respectivamente, Alexandre Padilha, Aloízio Mercadante e Antônio Patriota – esclareçam sobre os “ supostos projectos e acordos para assegurar a entrada no país de médicos estrangeiros e de brasileiros portadores de diplomas obtidos no exterior”.

 

No seu site oficial, a entidade sublinha “os riscos da importação de médicos sem critérios”. “Para o CFM, esta medida fere a autonomia nacional, desrespeita a legislação que regula o ingresso de médicos no país, coloca em risco a qualidade da assistência oferecida à população e não resolve de forma definitiva o atendimento em saúde das áreas de difícil provimento no interior e nas periferias dos grandes centros”.

 

O Conselho Federal de Medicina pede assim ao Ministério Público que apure as suspeitas de irregularidade para garantir a protecção dos interesses do cidadão brasileiro. “Não admitimos uma medicina de segunda para os mais carentes. Até porque quem está no governo, quando adoece, vai para os hospitais de primeira linha – no Rio de Janeiro e em São Paulo – e não se submete aos cuidados dos médicos importados aos lotes”, afirmou o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila.

 

Uma das nacionalidades visadas é a cubana, já que é feita a crítica de que “Cuba gradua médicos a uma escala industrial, com formação incompleta”.

 

A este propósito, a Associação Médica Brasileira (AMB) diz que “os médicos estrangeiros que quiserem exercer a profissão no Brasil devem contar a ser, obrigatoriamente, aprovados no Revalida” – um exame aplicado pelo governo para verificar se têm a formação adequada para atender a população brasileira.

 

No site oficial desta associação, o seu presidente, Florentino Cardoso, afirma que as entidades médicas brasileiras não estão contra a entrada de médicos estrangeiros, “desde que passem por uma avaliação adequada”.

 

Alexandre Padilha já veio entretanto explicar que o governo está ainda a analisar o modelo a adoptar com os médicos estrangeiros que desejem exercer no Brasil. E há duas exigências, logo à partida: que não haja equivalência automática de diplomas, devendo os médicos estrangeiros realizar provas e exames; e que não serão aceites profissionais de países onde o rácio médico-população seja pior do que o brasileiro, que é de 1,7 médicos por mil habitantes.

 

Um outro receio que já veio a lume é o de que os médicos chegados do estrangeiro, assim que se apercebam da situação desses centros precários de trabalho no interior do país, acabem por depois se dirigir para as grandes cidades, ocupando os postos dos médicos locais. Por isso, o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, já advertiu que os médicos que venham de fora terão que se comprometer a permanecer no lugar indicado pelo menos durante três anos. E que trabalharão “exclusivamente em zonas pobres” do país, refere o “El País”.

 

O salário que o governo brasileiro oferece actualmente aos médicos destacados para as zonas mais necessitadas e remotas é de 8.000 reais (pouco mais de 3.000 euros).

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI