União Europeia Brexit: Bruxelas esfria expectativas e diz que “ainda há muito trabalho a fazer”

Brexit: Bruxelas esfria expectativas e diz que “ainda há muito trabalho a fazer”

Segundo um porta-voz do governo britânico, Boris Johnson terá dito aos membros do Executivo que, apesar de ainda ser possível um acordo, o Reino Unido deve preparar-se para sair da UE no final deste mês.
Brexit: Bruxelas esfria expectativas e diz que “ainda há muito trabalho a fazer”
Reuters
Rita Faria 13 de outubro de 2019 às 19:18

Depois de um fim de semana de intensas negociações sobre o Brexit, em Bruxelas, o tom voltou a ser de ceticismo quanto à possibilidade de um acordo de divórcio até à cimeira europeia de 17 e 18 de outubro.

Este domingo, Michel Barnier, o negociador europeu do Brexit, avisou os diplomatas dos restantes 27 Estados-membros da União Europeia que as negociações com o governo de Boris Johnson foram "difíceis", não tendo gerado os progressos desejados.

Segundo fontes europeias, citadas pelas agências de notícias, Bruxelas considera que as propostas apresentadas por Londres ficam muito aquém do que é necessário para um acordo. "Ainda há muito trabalho a fazer", refere um comunicado oficial da Comissão Europeia, divulgado este domingo.

Do lado de Londres, chegou a mesma mensagem: segundo um porta-voz de Downing Street, o primeiro-ministro Boris Johnson terá informado o seu governo de que ainda é possível alcançar um acordo para o Brexit, apesar de os negociadores europeus terem avisado que o seu plano não é suficiente para servir de base ao entendimento. Nesse sentido, Johnson terá acrescentado que o Reino Unido deve estar preparado para sair da União Europeia a 31 de outubro, o limite definido atualmente para o divórcio com a UE.

O pessimismo demonstrado pelos dois lados contrasta com a mensagem mais confiante que foi deixada no final da semana, com Barnier a falar de uma reunião "construtiva" com o ministro britânico para o Brexit, Stephen Barclay e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, a anunciar "sinais positivos".

Boris Johnson aceitou que não poderá haver uma fronteira aduaneira na ilha da Irlanda. Mas a sua proposta alternativa levanta vários desafios que poderão não ser solucionáveis no pouco tempo que resta até à data fixada para o Brexit. Segundo o seu plano, a Irlanda do Norte deixaria a união aduaneira da UE, mas o Reino Unido cumpriria as regras e tarifas alfandegárias do bloco no que respeita à circulação de bens para a Irlanda do Norte.

Bruxelas considera, porém, que as propostas apresentadas não são suficientes, e as duas partes vão agora acelerar as negociações para tentar chegar a um entendimento até à próxima quinta-feira, dia em que se dá início à cimeira europeia. Um acordo entre as partes teria de ser aprovado pelos líderes europeus nesse encontro e depois ratificado pelo parlamento britânico no dia 19 de outubro.

Se assim for, o Reino Unido deixará o bloco a 31 de outubro com medidas para minimizar as perturbações decorrentes do divórcio. Se não for alcançado um acordo, o Reino Unido enfrenta, pelo contrário, um futuro mais incerto – o parlamento dará início a uma batalha para adiar o Brexit, enquanto Johnson pressionará por uma saída sem acordo no final do mês.




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