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Bruegel: o mérito do ajustamento externo é das exportações

O ‘think tank’ Bruegel analisa a evolução do saldo comercial das economias da periferia da Europa e conclui que, tirando a Grécia, o ajustamento veio do aumento das vendas ao exterior e não da quebra das importações.

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Bruno Simão
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 02 de Junho de 2017 às 11:45
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Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia chegaram à crise financeira de 2007/2008 com saldos comerciais muito negativos, acumulados durante vários anos. No caso português, o défice da balança corrente ascendia a 12,1% do produto interno bruto (PIB). Quase dez anos depois, esses défices foram drasticamente reduzidos. Ao longo deste período, algumas análises – incluindo, por exemplo, do FMI – foram apontando que a queda das importações tinha sido o principal responsável por este ajustamento externo. No entanto, segundo a análise do Bruegel, o crescimento das exportações foi o factor mais importante nesse reequilíbrio.

 

"Um mito popular na história da Zona Euro é que a correcção destes défices externos foi um processo predominantemente provocado pela queda das importações, enquanto as exportações quase não mexeram", escrevem os investigadores do Bruegel, Konstantinos Efstathiou e Guntram Wolff, este último director do influente ‘think tank’.

 

Quase uma década mais tarde, os autores propõe-se desconstruir esse mito, concluindo que na maioria dos países as importações aumentaram pouco e foram as exportações que ajudaram a equilibrar a frente externa. Em Portugal, entre 2008 e 2016, o saldo da balança corrente melhorou cerca de 8,5 pontos percentuais do PIB, que resultam de mais 11 pontos das exportações, sendo penalizado por 2,5 pontos nas importações (que aumentaram). Desde 2013 que o país tem um excedente.

 

Espanha teve um comportamento muito semelhante, com mais oito pontos vindos das exportações e 0,5 pontos das importações (que caíram). Na Irlanda, o ajustamento foi ainda maior (60 e 43 pontos percentuais, respectivamente), embora esteja bastante influenciado por alterações estatísticas realizadas em 2015. Como noutras situações, a excepção é a Grécia, onde, de facto, o défice comercial foi ajustado devido a uma enorme quebra das importações, enquanto as exportações quase não contribuíram.

 

A excepção grega, sublinha o post do Bruegel, mostra "a importância de empresas que possam operar e competir em mercados globais e aumentar a sua produção destinada a exportações quando a procura interna está frágil". Os outros países da periferia conseguiram compensar o menor dinamismo da actividade doméstica, apontando baterias para os mercados externos.


 

Os autores referem ainda que outra forma de avaliar o contributo das exportações é olhar para o seu peso na economia. Enquanto na Alemanha, França e Itália as exportações aumentaram apenas ligeiramente (2,5 a 3 pontos de PIB), os países que tiveram programas de ajustamento apresentam subidas muito maiores. Portugal teve um aumento de nove pontos percentuais, seguido pela Grécia (7,5 pontos) e Espanha (7 pontos). A Irlanda é o país que mais se destaca (40 pontos), mas essa explosão deve-se, como já foi referido, a mudanças de contabilidade.

 

Sabendo que esse rácio também pode ser influenciado pela contracção da economia, o Bruegel vai mais longe e decompõe a variação do peso das exportações no PIB, concluindo para Portugal que foi mesmo a subida das exportações que fez aumentar esse rácio (e não a recessão). Em Espanha e na Irlanda também. Mais uma vez, a Grécia é a excepção entre os periféricos: a queda do PIB é, de longe, o principal factor por trás deste ganho de peso das vendas ao exterior.


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