Mundo Bruxelas ameaça retaliar com tarifas às exportações de automóveis dos EUA

Bruxelas ameaça retaliar com tarifas às exportações de automóveis dos EUA

A União Europeia reitera que responderá com proporcionalidade a eventuais taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos à importação de veículos e peças de automóveis europeus. Bruxelas admite tarifas que impactem exportações americanas de automóveis em 294 mil milhões de dólares.
Bruxelas ameaça retaliar com tarifas às exportações de automóveis dos EUA
Michael Kappeler/Reuters
David Santiago 02 de julho de 2018 às 09:56

União Europeia e Estados Unidos prosseguem a toada de avisos e contra-avisos numa escalada retórica em torno da disputa comercial em curso entre dois dos maiores blocos económicos mundiais.

Agora foi a vez de Bruxelas avisar Washington de que se os EUA impuserem novas tarifas aduaneiras sobre a indústria europeia de veículos e componentes de automóveis, a UE responderá na mesma moeda, prejudicando o sector automóvel norte-americano.

A agência Reuters adianta esta segunda-feira, 2 de Julho, que Bruxelas admite agravar as taxas alfandegárias sobre as exportações norte-americanas de automóveis que valem cerca de 294 mil milhões dólares. O aviso noticiado pela Reuters consta de uma missiva dirigida por Bruxelas ao Departamento do Comércio dos Estados Unidos enviada na passada sexta-feira. Entretanto a Comissão Europeia publicou um documento no seu site onde explica a sua perspectiva. 

Na carta, a União sustenta que a adopção de medidas proteccionistas no sector automóvel por parte dos EUA, cenário que vem sendo sinalizado pelo presidente americano Donald Trump, não tem sentido nem justificações económicas.  

Trump tem invocado razões de segurança nacional para o reforço das taxas aduaneiras aplicadas à importações de um conjunto de bens oriundos dos Estados-membros da UE e também da China, blocos económicos face aos quais o presidente americano quer reduzir o défice comercial dos EUA.

Donald Trump tem criticado fortemente a discrepâncias nas taxas aplicadas por EUA e UE ao sector automóvel. A União aplica uma tarifa de 10% à enquanto os EUA impõem somente uma taxa de 2,5% na importação de automóveis. Trump afirmou na semana passada que Washington poderá agravar a taxa aduaneira sobre as exportações europeias de automóveis de 2,5% para 20%.

Contudo, Bruxelas ripostou lembrando que as tarifas aplicadas pelos EUA à importação de camiões é mais elevada do que aquela que é aplicada na União à importações de camiões produzidos em território norte-americano.

Na carta enviada para Washington, a UE sustenta que o agravar de tarifas sobre veículos e componentes de automóveis iria implicar um aumento de custos para os próprios fabricantes americanos, calculando que uma taxa de 25% teria um impacto negativo de 13 a 14 mil milhões de dólares.

Na sexta-feira, no final do Conselho Europeu, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, adiantou que nos próximos dias viajará até aos Estados Unidos para discussões com vista ao desanuviamento da tensão comercial entre Bruxelas e Washington. Ao longo das últimas sessões de negociação bolsista, cotadas como a Daimler (dona da Mercedes) e a BMW têm vindo a acumular perdas devido ao receio dos investidores quanto às consequências da efectivação das ameaças de Trump.

Este domingo, Donald Trump defendeu que a sua retórica proteccionista está a dar bons resultados: "todos os países telefonam todos os dias a dizer ‘vamos fazer um acordo, vai tudo correr bem’". Citado pelo Washington Post, Trump reiterou a garantia de que para os EUA as guerras comerciais "são fáceis de ganhar".

Apesar de o Canadá já ter ripostado contra o proteccionismo dos EUA – tal como fez a China e a UE – e de o México ter eleito um presidente de esquerda que garante estar preparado para enfrentar Trump, o presidente dos Estados Unidos assegurou ontem que a política proteccionista "America First" é para continuar.




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