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Bruxelas insiste na necessidade de Atenas implementar as reformas prometidas

A Comissão Europeia continua a insistir na necessidade de Atenas executar as reformas acordadas durante o Verão passado. Chefes de missão devem regressar ao terreno.

Pierre Moscovici
Bloomberg
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 07 de Março de 2016 às 15:06
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À entrada para o Eurogrupo, Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, disse que "há trabalho técnico ainda para ser feito" e que existe "margem de manobra para as autoridades gregas executarem mais reformas". No entanto, a ideia em que mais insistiu foi na necessidade de os chefes de missão do FMI e da Comissão voltarem ao terreno. "A discussão que temos de ter hoje é se estamos preparados para mandar os chefes de missão de novo para Atenas", afirmou.

 

Moscovici não quis entrar naquilo a que chamou "tecnicalidades" sobre divergências de posições entre Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e sobre a abrangência da reforma de Segurança Social com que o Executivo grego está comprometido. "Sabemos que as equipas técnicas identificam ainda diferenças […] acho que vamos chegar a uma conclusão unânime para mandar os chefes [de missão] de novo" para a Grécia, acrescentou.

 

Mais assertivo foi Jeroen Dijsselbloem. O presidente do Eurogrupo sublinhou que Bruxelas quer "reformas credíveis nas pensões" e espera que o orçamento esteja "no bom caminho". "Temos de manter-nos fiéis ao acordo a que chegámos no Verão [de 2015]", sublinhou. E por que linhas terá de se guiar essa reforma? "Temos de ver mais tarde."

 

Recorde-se que tem sido noticiado que Bruxelas e Washington não estão totalmente de acordo sobre as medidas e reformas que o Governo grego pretende implementar. A reunião desta tarde servirá para tentar chegar a um acordo sobre o que é necessário para satisfazer os credores, de quem depende o terceiro empréstimo de 86 mil milhões de euros à Grécia e a possibilidade de aliviar o fardo da dívida grega.

 

O acordo firmado no ano passado prevê que a Grécia tenha de atingir um saldo primário de 3,5% do PIB até 2018. Enquanto Bruxelas parece estar satisfeita com as explicações do Executivo de Alexis Tsipras sobre como lá chegar, o FMI parece muito mais desconfiado. O Financial Times escreve que FMI e Bruxelas têm trocado acusações, com trocas exaltadas de argumentos em reuniões dos últimos dias.

O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, referiu isso mesmo à entrada da reunião de hoje. "Depende dos números para onde se olhe. Os números da Comissão mostram que a Grécia não está assim tão mal. Os números do FMI mostram que é preciso fazer mais", explicou.

 

O FMI ainda não confirmou se vai participar deste terceiro resgate, o que o deixa numa posição em que pode pressionar mais Atenas e Bruxelas. "O FMI ficará dentro ou fora?", questiona uma fonte comunitária anónima, citada pelo FT. "Muitos governos europeus insistem que é impensável que [haja empréstimo] sem o FMI, mas o FMI sabe que esta é a melhor posição negocial em que pode estar."

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