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Bruxelas não acredita que Sócrates consiga sanear as finanças públicas nesta legislatura

José Sócrates deverá falhar o principal compromisso assumido com Bruxelas em matéria de consolidação orçamental, indicam as previsões da Comissão Europeia.

Negócios 07 de Maio de 2007 às 11:16
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A Comissão Europeia não acredita que o Governo consiga cumprir a nova meta assumida para o défice deste ano, antecipando que as finanças públicas apresentem um saldo negativo equivalente a 3,5% do PIB, quando Lisboa prevê 3,3%.

As Previsões de Primavera, hoje divulgadas, apontam ainda para que José Sócrates falhe o principal compromisso assumido com Bruxelas em matéria de consolidação orçamental, prevendo que o défice persista em valores superiores a 3% do PIB em 2008 (3,2%) quando o Executivo português havia prometido por termo à situação de défice excessivo até ao final da legislatura.

Há seis meses, nas anteriores previsões, Bruxelas antecipara um défice de 4% em 2007 e de 3,9% em 2008.

Depois de ter conseguido apresentar um défice orçamental de 3,9% do PIB em 2006, superando largamente o objectivo inicial do Governo de 4,6%, o Executivo de José Sócrates ajustou a sua previsão para o défice deste ano, apontando agora para um valor de 3,3%, que compara com os 3,7% que haviam sido prometidos a Bruxelas no quadro do programa de estabilidade e crescimento. Para 2008, o Governo não mexeu na meta de 2,6%, antecipando que seja apenas no último ano da actual legislatura que Portugal conseguirá repor o défice orçamental em linha com o limite máximo de 3% imposto pelas regras do euro.

Nas suas previsões, Bruxelas relembra que "nos próximos anos" as injecções de capital nos hospitais portugueses devem ser contabilizados como operações que agravam o défice. De referir que o organismo responsável pelas estatísticas comunitárias, Eurostat, corrigiu há algumas semanas o défice de 2005, de 6% para 6,1% do PIB, precisamente por causa de injecções de capital realizadas nos hospitais de Santa Maria e no do Nordeste nesse ano.

Segundo fonte comunitária citada pela agência Lusa, a análise mais conservadora de Bruxelas sobre a evolução do desequilíbrio das contas públicas explica-se também pelo crescimento económico. A Comissão prevê que Portugal cresça este ano 1,8% (o mesmo que o Governo) e 2% em 2008, ou seja menos quatro décimas do que a projecção governamental.

Em ambos os anos, Portugal continuará a crescer menos do que a média dos parceiros da Zona Euro. Puxada pelo bom dinamismo da Alemanha – a maior economia europeia deverá crescer2,5% em 2007 e 2,4% em 2008 – a área do euro deverá neste ano igualar o valor "recorde" do novo século de 2,6% observado em 2006, antes de sofrer uma ligeira desaceleração para 2,5% em 2008.

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