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Cameron foi à Escócia apelar ao voto no "não". Empresas estão contra independência

Empresa de serviços financeiros Standard Life avisou que vai deslocar parte do seu negócio para Londres se a Escócia se tornar independente. Já os CEO das petrolíferas BP e Shell mostraram-se a favor da permanência de Edimburgo na união com Londres.

O primeiro-ministro britânico também participou na homagem
Reuters
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 10 de Setembro de 2014 às 15:59
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Três dos líderes políticos britânicos de topo deslocaram-se à Escócia para fazer campanha pelo "não" no referendo independentista de 18 de Setembro. A ida ao terreno acontece depois das sondagens mais recentes demonstrarem que os apoiantes da independência está a subir nas sondagens.

 

O primeiro-ministro David Cameron, o seu parceiro de coligação Nick Clegg, e o trabalhista Ed Milliband, todos rumaram a Norte da Grã-Bretanha esta quarta-feira, 10 de Setembro, para apelar à manutenção da união com mais de 300 anos.

 

Na capital escocesa, David Cameron tratou de estabelecer as diferenças entre umas eleições gerais e este referendo independentista, ao mesmo tempo que alertou para as consequências financeiras da saída.

 

"Esta não é uma decisão sobre os próximos cinco anos. Esta é uma decisão sobre o próximo século", afirmou o primeiro-ministro britânico citado pelo The Guardian.

 

Afinal, a independência até pode ser boa para o partido conservador (os "tories"). A secessão provocaria um rombo nos trabalhistas, a Escócia vota tradicionalmente centro-esquerda, e deixaria os conservadores mais confortáveis em Westminster, o parlamento britânico.

 

"A minha resposta a isso é que eu preocupo-me mais com o meu país do que com o meu partido. Eu ficaria de coração partido se esta família de nações que juntámos se separasse", disse, num discurso descrito pela imprensa britânica como emocional.

 

Numa mudança de tom durante o discurso, o primeiro-ministro deixou vários avisos ao rejeitar a possibilidade de ser criada uma união monetária entre Londres e uma Escócia independente.

 

O líder escocês Alex Salmond já avisou que vai recorrer a um plano B, com o país a usar a libra mesmo sem um acordo com Londres. Mas Cameron alertou para os riscos desta opção ao dar o exemplo do Panamá que usa o dólar sem o aval de Washington.

 

"As instituições financeiras sairiam muito rapidamente da Escócia rumo a outros lugares do Reino Unido. O Panamá descobriu isso porque ao não ser responsável pela sua moeda, esta pode esgotar-se", explicou.

 

"Portanto, a resposta a isto é que as vossas instituições financeiras podem se ir embora e vocês podem ficar sem dinheiro".

 

Empresas contra a independência escocesa

 

O mundo empresarial escocês não está alheado da campanha para a independência, com mais de 100 empresários a lançarem um apelo a favor da permanência do país na União.

 

Um apoio de peso para o "não" chegou hoje quando a empresa de serviços financeiros Standard Life anunciou que poderá vir a deslocar parte do seu negócio para Londres se a Escócia votar a favor da independência.

 

Também os presidentes executivos das petrolíferas BP e Shell vieram a público mostrar-se contra a independência escocesa. Ambas as companhias exploram petróleo e gás natural no Mar do Norte, em território escocês.

 

"A BP acredita que as perspectivas futuras para o Mar do Norte são melhor servidas se for mantida a capacidade e integridade existente do Reino Unido", disse Bob Dudley CEO da BP.

 

Preocupação de Cameron e Milliband é "com os seus empregos"

 

Já o primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, garantiu hoje que a "equipa Escócia" vai triunfar sobre a "equipa Westminster" no referendo da próxima semana.

 

Sobre a visita dos três líderes políticos à Escócia, o independentista escocês considera que isso acontece "porque eles estão a entrar em pânico".

 

"O que é interessante hoje é que a campanha da Equipa Westminster - David Cameron, Ed Miliband - voou hoje para a Escócia. Não fazia parte dos seus planos, mas hoje eles estão aqui", apontou.

 

"O que estamos a argumentar é que estamos preocupados com os empregos na Escócia, em proteger o nosso serviço nacional de saúde. A sua preocupação, com este esforço de última hora, parece ser com os seus próprios empregos", acusou Alex Salmond.

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