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Carlos Moedas: Guerra comercial China/EUA é "desastrosa" mas gera oportunidade para a UE

"Neste momento de guerras comerciais, devemos tentar ocupar espaço em relação àquilo que é a capacidade extraordinária da China na inovação e ciência", afirmou Carlos Moedas à agência Lusa, em Pequim.

Reuters
Lusa 18 de Setembro de 2018 às 12:25

O comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, considerou hoje que as disputas comerciais entre Pequim e Washington são "desastrosas", mas criam uma oportunidade para a Europa "marcar posição" como parceiro "leal" da China.

 

"Neste momento de guerras comerciais, devemos tentar ocupar espaço em relação àquilo que é a capacidade extraordinária da China na inovação e ciência", afirmou Carlos Moedas à agência Lusa, em Pequim.

 

"Temos de estar aqui para marcar a nossa posição, porque outros não o estão a fazer. E isso dá-nos uma grande vantagem, também comercial", acrescentou o comissário, que co-preside esta semana, em Tianjin, cidade portuária do norte da China, à "Reunião Anual de Novos Campeões", conhecido como 'Davos de Verão'.

 

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou taxas alfandegárias sobre um total de 200 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros) de importações oriundas da China, agravando a guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

 

Em Junho passado, Trump impôs taxas de 25% sobre 50 mil milhões de dólares (43 mil milhões de euros), e Pequim retaliou com impostos sobre o mesmo montante de bens importados dos EUA.

 

Em causa está a política da China para o sector tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.

 

Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

 

Em declarações à Lusa após uma reunião com o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Carlos Moedas defendeu maior "reciprocidade" nas relações entre a União Europeia e a China, reconhecendo que a globalização "não soube proteger a classe média na Europa ou EUA", mas lembrou que os confrontos comerciais têm "efeitos desastrosos" para os consumidores, e abalam a confiança entre países.

 

"Temos de ter instrumentos para que a globalização seja mais civilizada", defendeu.

 

"Se temos concorrência desleal entre empresas, temos de criar regras que sejam recíprocas, em que os dois possamos ganhar, mas respeitando os valores uns dos outros" acrescentou Carlos Moedas, reconhecendo que o centro da economia mundial "tem vindo a mudar" para a China, mas que a Europa é ainda "líder na tecnologia".

 

"Em tudo o que tem a ver com energias renováveis, por exemplo, 40% das patentes são de europeus. Temos aqui uma oportunidade enorme, porque a China hoje tem consciência de que vai ter de fazer alguma coisa no combate a tudo o que são mudanças climáticas", descreveu.

 

No âmbito do programa da UE Horizonte 2020, Bruxelas e Pequim criaram um mecanismo de co-financiamento, no valor total de 130 milhões de euros, para projectos conjuntos, entre cientistas chineses e europeus, nas áreas da biotecnologia, agricultura e do combate às mudanças climáticas.

 

"Sermos um parceiro estável e sólido [da China] trará um grande futuro para a Europa, e agarrar esse futuro é termos um lugar à mesa", afirmou.

 

"Hoje, vemos um país como a Alemanha, que tem 1% da população do mundo: não é nada. Só aqui, em Pequim, há 20 milhões de habitantes. A China tem hoje mais de 150 cidades com mais de um milhão de habitantes", notou.

 

O comissário europeu defendeu ainda que Portugal poder ter um "papel de liderança" nas relações da UE com o mundo emergente.

 

"Pelo seu papel histórico, Portugal tem de se posicionar dentro da Europa na liderança das relações com estas partes do mundo", disse.

 

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