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Carvalho da Silva quebra silêncio e diz que não é candidato às presidenciais

O sociólogo Manuel Carvalho da Silva quebrou o silêncio e colocou-se fora da corrida às eleições presidenciais do próximo ano, embora considere que as candidaturas divulgadas até ao momento não asseguram a mudança política de que os portugueses precisam.

Pedro Elias
Lusa 08 de Maio de 2015 às 07:25
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Em entrevista à agência Lusa, o ex-líder da CGTP Carvalho da Silva afastou a hipótese de se candidatar à Presidência da República, pondo fim a um período de especulação sobre a sua eventual candidatura independente e considerada de união de uma parte da esquerda.

 

"Eu manifestei disponibilidade mas nunca me inscrevi na corrida, nem me coloquei na linha de partida. Mas isso não vai acontecer, não vai haver uma candidatura minha à Presidência da República", disse. O ex-sindicalista negou que a sua decisão tenha a ver com falta de apoios, pois, segundo ele, tem recebido mensagens de apoio e incentivo de todo o país e sectores da sociedade.

 

Apesar dos sinais de simpatia e apoio que tem recebido como incentivo a candidatar-se a Belém, Carvalho da Silva admitiu que seria muito difícil concretizar essa hipótese sem apoios partidários.

 

"Tenho consciência de que tenho a simpatia e o apoio de muitos portugueses, mas daí até ter uma estrutura organizada capaz, sem contar com apoios partidários, não é fácil ", disse salientando que uma eventual candidatura sua seria "uma candidatura cidadã, construída na sociedade".

 

Carvalho da Silva adiantou ainda que não se vai candidatar a presidente porque não quer ser um factor perturbador na sociedade ou na política.

 

"A minha vida tem sido dedicada a causas concretas, ao mundo do trabalho e ao herói comum. Eu não posso dar qualquer passo que possa ser considerado como factor perturbador e muito menos como bode expiatório de soluções que estão para além de mim", disse à Lusa.

 

O cenário político foi outro dos factores que levaram o professor universitário a retirar a disponibilidade para uma eventual candidatura à Presidência da República. "Podemos correr o risco de ter um novo ciclo político que seja de continuidade e de afirmação da subjugação dos portugueses à austeridade", considerou.

 

O investigador social defendeu a necessidade de "despertar toda a esquerda" para este risco e de ser construído um entendimento para que os portugueses possam ter um ciclo político novo, com novas políticas.

O sociólogo considerou que as candidaturas presidenciais já conhecidas não asseguram os interesses dos portugueses porque não apostam no combate à actual política de austeridade.

 

"Acho que as candidaturas que até agora se apresentaram, e tendo em conta o que colocaram como objectivos programáticos, estão muito longe de preencher o espaço que existe e que é preciso preencher com uma candidatura que represente um esforço de intensificação dos interesses dos portugueses, enquanto interesse nacional", disse.

 

Carvalho da Silva considerou que os interesses dos cidadãos "têm de estar no centro do debate" para as eleições presidenciais do próximo ano e defendeu "uma candidatura com forte empenho na afirmação da democracia e da soberania e independência nacional".

 

"Faltam até agora, claramente, projectos que ponham em causa, de forma frontal, as políticas de austeridade", afirmou.

 

"Precisamos de um Presidente da República totalmente diferente [do actual]", disse, manifestando esperança de que o Partido Socialista "não embarque na secundarização das eleições presidenciais".Carvalho da Silva considerou que está a ser feito um esforço para esbater as diferenças entre as linhas programáticas da direita e as do PS e que isso "é perigosíssimo e prejudica toda a esquerda".

 

O antigo secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva tinha afirmado em Março estar disponível para uma candidatura presidencial, caso o processo de auscultação que estava a fazer mostrasse que a candidatura fazia sentido.

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