Política Catalunha pede à Europa que apoie o referendo sobre a sua independência

Catalunha pede à Europa que apoie o referendo sobre a sua independência

Artur Mas, presidente do governo regional catalão, enviou uma carta aos líderes de todos os países da União Europeia assegurando-lhes que o referendo agendado para Novembro é constitucional, ao invés do que Madrid alega.
Catalunha pede à Europa que apoie o referendo sobre a sua independência
Reuters
Eva Gaspar 02 de janeiro de 2014 às 17:58

Artur Mas, presidente do governo da Catalunha, escreveu aos líderes dos países e instituições da União Europeia (UE) pedindo-lhes que apoiem o referendo sobre a independência da região, depois de lhes assegurar que a consulta popular agendada para 9 de Novembro decorre da vontade do povo catalão e não viola a Constituição, ao invés do que o Governo de Madrid alega.

 

Na carta, dirigida entre outros à chanceler alemã Angela Merkel, Artur Mas pede apoio a um “processo pacífico, democrático, transparente e europeu” que diz ser apoiado por uma vasta maioria do povo catalão.

 

A carta do presidente da Generalitat e líder do Convergência e União (CiU) é datada de 20 de Dezembro mas só nesta quinta-feira, 2 de Janeiro, foi tornada pública. A sua divulgação surge depois de o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García-Margallo, ter enviado uma carta às embaixadas e consulados espanhóis em todo o mundo onde inventaria os argumentos contra o movimento de independência da Catalunha.

 

Em Dezembro de 2013, os partidos políticos que representam 65% do Parlamento catalão, aprovaram uma iniciativa que prevê a realização em 9 de Novembro próximo de uma consulta popular em duas etapas para perguntar aos catalães se querem que a Catalunha seja “um Estado” e, em caso de resposta afirmativa, se querem que a Catalunha seja um “Estado independente”.

 

O referendo não foi autorizado por Madrid. "O que alguns partidos planearam é radicalmente contrário à Constituição e a lei dessa iniciativa choca com o fundamento da Constituição que é a unidade indissolúvel da nação espanhola, pelo que o Governo a que presido não pode autorizar nem negociar algo que é propriedade dos espanhóis”, asseverou o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy.

 

Alguns analistas encaram a marcação do referendo como uma derradeira manobra de pressão sobre Madrid para obter para a Catalunha um pacto de autonomia e financeiro melhorado – não a independência. Se o Tribunal Constitucional inviabilizar a consulta, deslegitimando uma possível declaração unilateral de independência, assumem como provável a antecipação para 2015 das eleições na Catalunha. De todos os modos, Madrid continuará sob pressão para chegar a um acordo mais favorável para os catalães, de modo a evitar que forças pró-independência mais agressivas, como a  Esquerda Republicana, cheguem ao poder. 

 

Em caso de independência, a Catalunha terá de renegociar a sua presença na UE e noutras instituições internacionais. O mesmo sucederá com a Escócia, que tem referendo marcado para 18 de Setembro.

 




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