Política Catarina Martins: “Eu acho que o plano B não existe”

Catarina Martins: “Eu acho que o plano B não existe”

A líder do Bloco de Esquerda garante que o partido que lidera não foi convocado para discutir o plano B que o Governo se comprometeu a elaborar com Bruxelas. O que a leva a concluir que “não existe”. Carlos Costa é novamente visado pelas críticas.
Catarina Martins: “Eu acho que o plano B não existe”
Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões 20 de abril de 2016 às 09:42

Catarina Martins acredita que o plano B, com medidas adicionais de austeridade que o Governo apresentou a Bruxelas, não existe. Em entrevista à Rádio Renascença, a porta-voz do Bloco de Esquerda sublinha que o partido "nunca discutiu nenhum plano B com o Governo, nem nunca o Governo nos pediu para discutir nenhum plano B". Por isso conclui: "eu acho que o plano B não existe".

 

Recorde-se que o ministro das Finanças, Mário Centeno, comprometeu-se a preparar um conjunto de medidas adicionais de austeridade com o Eurogrupo, mas acredita que não serão necessárias.

 

Uma das medidas que poderá estar em cima da mesa é a subida do IVA para 25%, escreve esta quarta-feira o Correio da Manhã. Seria uma forma de assegurar a sustentabilidade da reposição de salários, nota o jornal. Mas Catarina Martins rejeita que se mexa aí. "O acordo que fizemos" com o PS "proíbe explicitamente" o aumento de impostos "sobre bens essenciais". E esse "é um cenário completamente afastado", garante.

 

Isso significa que o IVA pode subir para bens não essenciais? "Para já nunca ninguém discutiu aumentos de IVA. Há bens essenciais que estão na taxa normal de IVA", como a electricidade, exemplificou. "Nem sequer o Governo nos pediu para nos debruçarmos sobre tal cenário", acrescentou Catarina Martins, lembrando que o compromisso do Bloco é "recuperar rendimentos do trabalho e proteger o Estado Social".

 

Catarina Martins procurou ainda esvaziar a tensão, visível no último debate quinzenal, com o Governo, em especial a propósito da intervenção na banca. "Não vamos ficar sentados a ver o país perder recursos, e portanto a pôr em causa este acordo, e não dizermos que estamos preocupados. Estamos, mas isso não significa estarmos a desenhar linhas vermelhas a cada momento", garantiu.


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Se fazemos perguntas complicadas não é para criar problemas; pelo contrário, é para defender a estratégia comum de recuperação de rendimentos", afiançou.

 

Carlos Costa "não sabe" como ainda é governador

 

Catarina Martins não perdeu também a oportunidade de criticar o governador do Banco e Portugal, depois de, igualmente no último debate quinzenal (na passada sexta-feira) ter pedido a sua demissão. "Achamos muito difícil de compreender como é que o governador do Banco de Portugal se mantém. Julgo que o próprio tem dificuldade em responder a esta pergunta", assinalou.

 

E critica PSD e CDS pelo facto de Carlos Costa ainda estar à frente do regulador, depois do que aconteceu com o BES. "Foi muito difícil compreender como Carlos Costa pôde ser reconduzido depois de tudo o que aconteceu no BES. PSD e CDS votaram o relatório da comissão de inquérito em que imputam uma série de responsabilidades ao BdP e depois reconduzem o mesmo governador", recordou.

 

Não é só o passado que está mal. O presente também. "Temos casos sucessivos agora a funcionarem mal: o Banif, esta questão do banco mau, que o governador estaria a negociar já com o BCE e que o primeiro-ministro diz ‘não tenho nada a ver com isso e não sei de nada’", elencou. "Convenhamos que veículos financeiros com 20 mil milhões de euros de garantias públicas não podem ser negociados sem o Governo saber de nada, isto é grave". Por isso, "parece-nos que o governador não tem condições".




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