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Catroga diz «política orçamental deve ter preocupações anti-cíclicas»

O antigo ministro das finanças, Eduardo Catroga, disse hoje que a política orçamental, no quadro da União Europeia, «deve ter preocupações anti-cíclicas», com o objectivo de apostar na expansão mesmo em ciclos baixos.

Ana Torres Pereira atp@negocios.pt 07 de Outubro de 2002 às 15:45
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O antigo ministro das finanças, Eduardo Catroga, durante o seminário sobre o Sucesso Empresarial das Tecnologias de Informação, disse que a política orçamental, no quadro da União Europeia, «deve ter preocupações anti-cíclicas», com o objectivo de apostar na expansão mesmo em ciclos baixos.

Eduardo Catroga disse, durante a sua apresentação sob o tema «Condições Macro Económicas do Sucesso Empresarial», que «o desenvolvimento económico e social de Portugal depende das capacidades competitivas das empresas».

O ex-ministro das Finanças referiu que a capacidade competitiva das empresas depende da sua qualidade de gestão estratégica e da qualidade do ambiente externo.

A política orçamental tem vindo a ser «desadequada, contribuindo para um nível crescente do nosso défice externo e para níveis de inflação acima dos registados pelos nossos parceiros» europeus, referiu Eduardo Catroga.

Num cenário de abrandamento económico a política orçamental em Portugal para este ano e 2003 não é expansionista devido ao objectivo do país de reduzir o défice orçamental.

O mesmo responsável considera que uma «boa política orçamentar» tem que contemplar três requisitos: «efeitos anti-cíclicos, com o objectivo de seguirmos uma política expansionista nos ciclos baixo; o controlo dos gastos correntes, libertando o máximo de recursos para as áreas estratégicas; e um nível total de despesas públicas competitivas».

O professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) reforçou também que «o sistema fiscal deve ser mais competitivo, com a atracção das poupanças», sempre tendo como comparação os membros da União Europeia.

É prioritário «fazer o benchmarking com os países de sucesso», tendo como objectivo «o saneamento duradouro das finanças públicas», segundo a mesma fonte.

Eduardo Catroga salientou que «impõe-se um programa orçamental dinâmico nos próximos três a quatro anos», a fim de dispor de dispositivos automáticos anti-cíclicos.

Na perspectiva deste professor catedrático, a política de rendimentos adoptada tem demonstrado «incoerência», devido «à política salarial da função pública». «Portugal precisa de uma política salarial saudável», reforçou.

O responsável considera excessivo o custo salarial da função pública que representa 15,3% do Produto Interno Bruto, enquanto em Espanha esse custo apenas representa 10,2%.

«O Governo deverá ser o catalizador e gerar incentivos», sendo que «deve desviar o discurso para a melhoria da competitividade», segundo a mesma fonte. «Se fizermos isso somos capazes de vencer o desafio», concluiu.

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