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Catroga: "Não compete ao Governo definir orientações para o sector privado"

O representante do PSD nas negociações com a troika opõe-se a uma redução dos salários nas empresas, à semelhança do que acontece no sector público. Outros antigos ministros de Cavaco Silva, Couto dos Santos e Silva Peneda, mostram-se igualmente contra a sugestão da troika.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Novembro de 2011 às 11:23
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Eduardo Catroga mostrou-se contra a sugestão da troika em estender o corte de salários do sector público também para o privado.

“Não compete ao Governo definir orientações para o sector privado”, disse o antigo ministro à Rádio Renascença, dando a entender que Passos Coelho não deveria acatar a sugestão da troika que, disse esta semana, que o sector privado deveria seguir o exemplo do Estado e “aplicar reduções sustentadas”.

Para Catroga, o sector privado já tem vindo a ser alvo de um ajustamento, o que não aconteceu no público.

“O ajustamento das empresas está a ocorrer há bastante tempo”, defendeu aquele que representou o PSD nas negociações do plano da troika, referindo-se à redução de custos ou à diferenciação de produtos.

No Orçamento do Estado para 2012, que está a ser discutido no Parlamento na especialidade, o Governo manteve o corte médio de 5% dos salários aos funcionários do Estado e de empresas públicas, além da sua decisão de eliminar os subsídios de Natal e de férias durante a vigência do programa de ajuda externa.

Silva Peneda defende que redução salarial não é o que mais dinamiza competitividade

Catroga não é voz única "laranja" nas críticas à sugestão da troika. Outros sociais democratas e antigos ministros de governos de Aníbal Cavaco Silva afirmaram hoje que não faz sentido cortar salários nas empresas.

“Pensar que a competitividade das empresas se faz pela via salarial é uma coisa que podia fazer sentido no passado. Hoje não é. Especialmente num país onde o salário médio é de 700, 800 euros, uma redução salarial não é aqui o factor mais decisivo para o aumento da competitividade”, referiu o social democrata José Silva Peneda à Renascença.

Silva Peneda, tal como Catroga, considera que não faz sentido prolongar o corte de salários e nem é competência do Estado, porque os salários são negociados. A competitividade depende de outros factores, como a própria organização de empresas ou a capacidade de liderança, defende.

Couto dos Santos afirma que empresas já contêm salários “há largos anos”

Também António Couto dos Santos, actual deputado pelo PSD, argumentou que o sector privado “já tem contido os salários há largos anos”.

“Estão sujeitos às contingências do mercado, que é a redução de pessoal permanente e o fecho de empresas”, lembrou à Rádio Renascença Couto dos Santos, igualmente antigo ministro de Cavaco Silva. “O sector privado está já a ser fortemente penalizado com esta crise”, defendeu.

Também Couto dos Santos considera que há outros caminhos para retirar algum peso nos custos permanentes das empresas, de forma a aumentar a competitividade empresarial – “dando maior contribuição no horário de trabalho” ou diminuindo o absentismo”, por exemplo.

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