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Cavaco Silva comenta saída limpa com farpa dirigida a quem considerava inevitável segundo resgate

Presidente da República reagiu no Facebook ao anúncio de que Portugal vai sair do programa de ajustamento sem programa cautelar. Aproveitou para criticar quem dizia que um segundo resgate era inevitável. Cavaco tinha admitido ser preferível um programa cautelar.

Pedro Elias
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 05 de Maio de 2014 às 18:33
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O texto, publicado na página oficial de Aníbal Cavaco Silva no Facebook, começa em tom irónico. “O que mais me vem à memória, no dia de hoje, são as afirmações peremptórias de agentes políticos, comentadores e analistas, nacionais e estrangeiros ainda há menos de seis meses, de que Portugal não conseguiria evitar um segundo resgate”, afirma o Presidente. “O que dizem agora?”, questiona.

 

“Neste tempo pré-eleitoral é apenas isto que respondo a todos aqueles que pedem a minha reação ao anúncio de ontem de que Portugal não recorrerá a qualquer programa cautelar”, afirma ainda o Presidente.

 

Recorde-se que Cavaco Silva defendeu, nos Roteiros VIII, que “em termos gerais, para um país que conclua com sucesso um programa de assistência financeira, é possível que um programa cautelar seja preferível a uma saída dita ‘à irlandesa’”. É que uma saída como aquela que o Governo escolheu deixa o País “inteiramente à mercê da volatilidade e das contingências típicas dos mercados”.

 

Os países que o façam podem “incorrer em custos de regressão elevados, sobretudo se as principais forças políticas não revelarem uma firme convicção no sentido de garantir, de forma concertada e a médio prazo, uma trajectória de sustentabilidade das finanças públicas e a prossecução de uma política de reformas para a melhoria da competitividade das empresas”.

 

A Presidência da República não quis fazer comentários a esta publicação de Cavaco Silva. Mas o Negócios sabe que o objectivo do Presidente, com este comentário no Facebook, foi afastar-se deliberadamente do tema, uma vez que se vive um período de campanha eleitoral (ainda que não oficial). Com esta opção, Cavaco faz uma abordagem ligeira ao pós-troika e evita ir mais além na polémica.

 

Possivelmente um assunto desta natureza mereceria uma declaração pública, provavelmente à margem de um algum evento. O Facebook do Presidente é habitualmente usado para relatar os eventos públicos em que Cavaco Silva participa.

 

Críticos devem ler os Roteiros de forma “integral e não truncada”

 

O facto de o Governo ter optado por uma saída limpa foi interpretado como sendo contrário ao que defendia o Presidente da República, que admitiu que para Portugal poderia ser preferível um programa cautelar.

 

No mesmo texto que hoje publicou, Cavaco Silva respondeu apenas com estas frases, recomendando “a leitura integral – e não truncada – do prefácio que escrevi para Roteiros VIII, disponível na página oficial da Presidência da República na Internet”.

 

Em Julho do ano passado, o líder do PS dizia que “o segundo resgate, ou um segundo programa, parece inevitável fruto do falhanço deste Governo”. Essa declaração tem sido muito utilizada pelo PSD e CDS para atacar os socialistas.

 

(Notícia actualizada com mais informação às 19h15)

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