Ajuda Externa Cavaco Silva: "É estranhíssimo que Portugal seja o País da Europa onde o diálogo entre as forças políticas é mais difícil"

Cavaco Silva: "É estranhíssimo que Portugal seja o País da Europa onde o diálogo entre as forças políticas é mais difícil"

O Presidente da República voltou esta segunda-feira a apelar a um compromisso político de médio prazo entre os partidos do arco da governação. Criticou quem fala do pós-troika "mesmo não sabendo nada" sobre a questão e, sem se manifestar a favor ou contra um programa cautelar, afirmou que o mais importante agora é "estudar os problemas" e explicar aos portugueses o que significa o pós-troika.
Cavaco Silva: "É estranhíssimo que Portugal seja o País da Europa onde o diálogo entre as forças políticas é mais difícil"
Miguel Baltazar
Ana Luísa Marques 10 de março de 2014 às 17:20

O Presidente da República voltou esta segunda-feira a apelar a um compromisso político de médio prazo entre os partidos do arco da governação. Criticou quem fala do pós-troika "mesmo não sabendo nada" sobre a questão e, sem se manifestar a favor ou contra um programa cautelar, afirmou que o mais importante agora é "estudar os problemas" e explicar aos portugueses o que significa o pós-troika.

 

"O pós-troika será um período decisivo para o futuro do País. Por isso, decidi analisar de forma rigorosa, aprofundada e por escrito essa fase da vida de Portugal para a poder explicar aos portugueses", afirmou Cavaco Silva a propósito do prefácio do "Roteiros VIII" – livro onde reúne as intervenções do ano anterior. Neste texto, intitulado "O período pós-troika", Cavaco Silva defende que "os portugueses devem ser esclarecidos e estar bem conscientes das novas regras europeias de disciplina orçamental, já que elas irão condicionar, de forma profunda, a vida nacional nos próximos anos".

 

Esta tarde, durante uma visita à fábrica da Nestlé, o Chefe de Estado criticou os que falam sobre o pós-troika "mesmo não sabendo nada sobre as questões". "Falar qualquer um pode falar mas escrever e assinar por baixo só pode fazer quem estudou bem os problemas", disse Cavaco Silva.

 

Sem se manifestar a favor, ou contra, um programa cautelar, Cavaco Silva afirmou apenas que o "mais importante agora é estudar os problemas" e explicar a "todos os portugueses" o que significa o pós-troika. O Presidente da República deixou, no entanto, claro, no prefácio do seu novo livro, que é adepto de um programa cautelar. "Em termos gerais, para um país que conclua com sucesso um programa de assistência financeira, é possível que um programa cautelar seja preferível a uma saída dita 'à irlandesa'".

 

Durante a visita à fábrica da Nestlé, Cavaco Silva sublinhou, mais uma vez, a "importância de um compromisso político de médio prazo" entre os partidos do arco da governação. Para o Chefe de Estado é importante que os portugueses tenham consciência do que "perdem em termos de emprego, de salários e de justiça de rendimentos se não existir um compromisso político entre as forças políticas".

 

Cavaco Silva apelou assim aos portugueses "que se comportem em conformidade e ajudem os políticos a dar o passo decisivo" no sentido de um compromisso político. "É estranhíssimo que Portugal seja o País da Europa onde o diálogo é mais difícil entre as forças políticas", acrescentou o Presidente da República.

 

No prefácio do "Roteiros VIII", o Presidente da República alertou que "ficando inteiramente à mercê da volatilidade e das contingências típicas dos mercados [ou seja, sem um programa cautelar] um país pode incorrer em custos de regressão elevados, sobretudo se as principais forças políticas não revelarem uma forme convicção no sentido de garantir, de forma concertada e a médio prazo, uma trajectória de sustentabilidade das finanças públicas e a prossecução de uma política de reformas para a melhoria da competitividade das empresas".     

 

(Notícia actualizada às 18h24)




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