Cultura Celeste Cardona perde processo judicial e continua na capa de "Os Privilegiados"

Celeste Cardona perde processo judicial e continua na capa de "Os Privilegiados"

Celeste Cardona não queria estar na capa do livro “Os Privilegiados” ao lado de nomes como Duarte Lima e Armando Vara. Por isso, processou a editora, Esfera dos Livros, e o autor, Gustavo Sampaio. A sentença de primeira instância, lida esta segunda-feira, absolveu-os.
Celeste Cardona perde processo judicial e continua na capa de "Os Privilegiados"
Pedro Catarino/Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro 04 de novembro de 2013 às 19:24

A editora A Esfera dos Livros e o autor do livro “Os Privilegiados”, Gustavo Sampaio, foram absolvidos, na primeira decisão judicial sobre o caso, da acção movida por Celeste Cardona.

 

Num comunicado enviado às redacções, a editora explica que teve lugar esta segunda-feira a sentença final do processo, que não dá razão à antiga ministra da Justiça.

 

No início de Outubro, o jornal “Público” noticiou que tinha sido avançado um processo judicial contra A Esfera dos Livros e Gustavo Sampaio, movido pela antiga ministra que integra o conselho geral e de supervisão da EDP desde a última fase de privatização. A antiga banqueira não gostou de ver a sua imagem na capa do livro.

 

A publicação sublinhava que o facto de estar, na capa, ao lado de pessoas como Armando Vara ou Duarte Lima estava na base da insatisfação. “Como os políticos e ex-políticos gerem interesses, movem influências e beneficiam de direitos adquiridos” é a frase que acompanha a capa de “Os Privilegiados” e a fotografia de nove antigos políticos, entre os quais, Celeste Cardona.

 

O argumento de Maria Celeste Cardona era o de que não tinha dada autorização para constar na capa do livro e, por isso, queria retirar todos os livros do mercado.

 

A decisão judicial, de primeira instância, segundo relata o comunicado da editora, não deu razão à antiga ministra e ex-membro da administração da Caixa Geral de Depósitos, considerando-a como uma figura pública e ficando, assim, salvaguardada a liberdade de expressão e de informação.

 

Ao Negócios, Gustavo Sampaio mostrou-se satisfeito com a sentença – “dá-me conforto em relação ao funcionamento da Justiça” – e adianta que em todo o livro “não há juízos de valor”.

 

“Limito-me a apresentar factos – factos conhecidos e públicos: as nomeações de Celeste Cardona, primeiro para a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e depois para o conselho geral e de supervisão da EDP”, adiantou o escritor. No seu livro, Gustavo Sampaio fala sobre o fluxo de antigos políticos para as grandes empresas da Bolsa de Lisboa. No processo interposto pela antiga governante, o conteúdo do livro não é posto em causa – o que motivou o processo foi a imagem da própria na capa. O jornalista acrescenta que até poderia esperar acções judiciais pelo tema do livro mas assegura que ficou “perplexo” pelas razões desta acção da agora elemento do conselho geral e de supervisão da EDP.

 

Tal como o autor, a editora também viu a decisão com bons olhos. “A Esfera dos Livros congratula-se com a decisão judicial proferida, que permite que todos os portugueses possam ler o livro, que é de interesse público, com respeito pela liberdade de criação, expressão e de informação”.

 

O Negócios tentou, igualmente, contactar Celeste Cardona mas não foi possível obter uma reacção, nomeadamente para saber se seria apresentado recurso. Segundo dados fornecidos pela editora, ainda não foi entregue nenhuma nova acção em tribunal. 

 




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