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Chega ameaça cortar relações com o Vox por mapa que anexa Portugal

André Ventura exige que Santiago Abascal se "retrate" pelo mapa do Vox em que o território português surge anexado a Espanha, caso contrário ameaça cortar relações com o partido da extrema-direita espanhola. O líder do Chega antecipa desde já que se Abascal der "explicações" sobre o sucedido o partido português não colocará em causa a "boa relação" com o Vox.

Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 06 de Janeiro de 2020 às 19:27
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O Chega exige que o Vox se retrate pelo mapa em que o partido da extrema-direita espanhola convoca uma manifestação contra movimentos independentistas com uma imagem de fundo em que surge a Península Ibérica com o território português anexado a Espanha.

 

Em comunicado enviado às redações, o partido português de direita radical começa por adiantar que, no próximo sábado, André Ventura estará reunido com Santiago Abascal, líder do Vox, num encontro que decorrerá nas Caldas da Rainha.

"André Ventura irá exigir ao dirigente espanhol que o seu partido se retrate pelo mapa que foi divulgado recentemente pelo Vox e que anula a presença de Portugal na Península Ibérica e coloca Espanha a dominar todo o território ibérico", acrescenta a nota.

Além de exigir uma "correção pública deste erro", o Chega avisa que "irá ainda exigir que tal equívoco não se volte a repetir, sob pena de as relações entre Portugal e Espanha, tão prezadas por ambos os países, poderem sair prejudicadas".

Já em declarações ao Negócios, o líder e deputado único do Chega, André Ventura, nota que nesta fase "está tudo em cima da mesa", incluindo um corte de relações no caso de o Vox e respetivo líder não pedirem publicamente desculpas pelo sucedido.


Ventura avisa que as "relações podem ficar muito deterioradas" e que o Chega poderá mesmo propor, no Parlamento, a aprovação de votos condenatórios da ação do Vox.

 

No entanto, mesmo sem conhecer o teor das hipotéticas justificações que venham a ser dadas, André Ventura antecipa desde já que se o Vox der "explicações" para o sucedido, o Chega tomará "por boas as desculpas e explicações" e não irá pôr em causa a "boa relação" com o partido.

 

O Negócios tentou ainda esclarecer o significado da expressão "sob pena de as relações entre Portugal e Espanha, tão prezadas por ambos os países, poderem sair prejudicadas", utilizada para antecipar as consequências de um eventual não pedido de desculpas. É que nem Ventura nem Abascal, nem o Chega ou o Vox, detêm capacidade para determinar o rumo das relações bilaterais Lisboa-Madrid, prerrogativa a cargo dos primeiros-ministros e ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

 

Por sinal, o primeiro-ministro português, António Costa, mantém relações próximas com o chefe do governo espanhol em exercício, Pedro Sánchez, que esta terça-feira deverá ser investido como primeiro-ministro em plenitude de funções.

 

"A avaliação não é só partidária. Grande parte do povo português ficou indignada, e bem, com aquele mapa. Caso o Vox volte a ter atitudes destas, sendo um dos partidos mais expressivos da democracia espanhola, as relações entre os dois países, e referimo-nos essencialmente aos povos dos dois países, podem sair prejudicadas", explica o líder do Chega.

Depois de em junho do ano passado ter dito que no mês seguinte iria reunir-se com o Vox, dado tratar-se de um partido com a "coerência e a firmeza dos valores, que não negoceia nem vende, não cede naquilo em que acredita", André Ventura reconheceu, em outubro último, ligações à força que entrou de rompante na política espanhola.

 

E após as eleições gerais espanholas de 10 de outubro em que o Vox ascendeu a terceira maior força, Ventura fez questão de saudar o resultado do partido de Abascal.

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