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Cheias na Alemanha Oriental poderão por em causa cumprimento do PEC

O Governo de Gerhard Schroeder aprovou uma ajuda financeira de 385 milhões de euros para os indivíduos afectados pelas cheias na antiga Alemanha Oriental, tendo o chanceller sugerido que o desastre pode pôr em causa o cumprimento do PEC.

Ricardo Domingos rdomingos1@gmail.com 16 de Agosto de 2002 às 10:27
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O Governo de Gerhard Schroeder aprovou uma ajuda financeira de 385 milhões de euros para famílias e indivíduos afectados pelas cheias na antiga Alemanha Oriental, tendo o chanceller sugerido que o desastre natural pode pôr em causa o cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

As cheias registadas na zona leste da Alemanha, que já vitimaram nove mortos, irão custar às empresas, indivíduos e ao Governo alguns milhares de milhões de euros, afirmou Schroeder.

Apesar do Governo alemão ainda não ter quantificado os prejuízos totais das cheias, as perdas poderão pôr em causa o cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento, que prevê um défice orçamental abaixo dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e o equilíbrio das contas em 2004.

«Não estou de todo interessado nisso», afirmou ontem Gerhard Schroeder em conferência de imprensa, quando questionado sobre a possibilidade da tragédia obrigar a maior economia europeia a superar os limites impostos pelo PEC.

Portugal foi o primeiro país da Zona Euro a superar o tecto de 3% do PIB para o défice imposto pelo PEC, ao registar um défice orçamental de 4,1% do PIB no ano passado, quando inicialmente previa que o mesmo atingisse os 1,1%. Para 2002, e após a aprovação de um Orçamento Rectificativo, o actual Governo estima que o défice caia para os 2,8% do PIB, e atinja um valor «próximo de zero» em 2004.

«Ainda não podemos quantificar os danos, sem antes fazer um levantamento dos mesmos. Mas o montante deverá ascender aos milhares de milhões, isso é claro. Irão superar a nossa ajuda inicial de centenas de milhões de euros», esclareceu Gerhard Schroeder, de acordo com as agências internacionais.

Em Dresden, capital do Estado da Saxónia, o rio Elba subiu ao nível mais elevado dos últimos 157 anos, sendo esperado que continue a submergir mais zonas da cidade. Os danos para aquela cidade apensas deverão custar mais de mil milhões de euros, segundo estimativas do Ministério do Interior da região.

«É como recomeçar a reconstrução da Alemanha de Leste a partir do zero», acrescentou Schroeder.

O Ministério das Finanças alemão revelou igualmente que chegou a acordo com alguns Governos regionais uma série de perdões fiscais para os residentes das zonas inundadas.

Poucas empresas e lares afectados pelas cheias estão segurados contra desastres naturais, o que poderá agravar a crise do sector segurador, que teve início após os ataques terroristas aos EUA a 11 de Setembro do ano passado.

Os agricultores estão confrontados com perdas de um máximo de 1,5 mil milhões de euros devido aos danos que o mau tempo causou nas plantações, afirmou ontem o presidente da associação dos agricultores alemães, acrescentando que a colheita deste ano será «uma catástrofe».

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