Economia China contra-ataca "onde mais dói" a Trump: desvaloriza yuan e reduz importações agrícolas

China contra-ataca "onde mais dói" a Trump: desvaloriza yuan e reduz importações agrícolas

A tranche de tarifas anunciada na semana passada por Donald Trump teve a reação mais vigorosa da China até ao momento, desde que começou a guerra comercial entre as duas nações.
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Negócios 05 de agosto de 2019 às 07:57

A China já reagiu à última investida dos Estados Unidos. Pequim deixou o yuan desvalorizar esta segunda-feira para o nível mais baixo em mais de uma década e ordenou às empresas estatais que suspendessem as importações de produtos agrícolas norte-americanos.

As medidas tomadas pela China vão ao encontro de duas das principais críticas de Trump. Por um lado, Pequim corta nas importações agrícolas depois de Trump ter acusado este país oriental de não cumprir com a promessa de aumentar as compras deste setor aos Estados Unidos, tal como prometido.

Por outro lado, incide nas acusações de que a China manipula a moeda de forma injusta e com o intuito de ajudar as suas empresas exportadoras. Um yuan mais fraco significa que os produtos chineses são mais baratos, o que pode ajudar a conter o efeito negativo das novas tarifas dos EUA sobre a competitividade da economia de Pequim.

 

Na quinta-feira, o Presidente norte-americano Donald Trump anunciou a imposição de novas tarifas de 10% sobre produtos chineses avaliados em 300 mil milhões de dólares até 1 de setembro.

A China já tinha avisado de que uma reação estaria para breve. "Se os Estados Unidos implementarem as tarifas adicionais, a China terá que adotar as contra-medidas necessárias", disse Hua Chunying, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, na última sexta-feira. 

 

As mexidas do yuan

As taxas de câmbio do yuan chinês face ao dólar norte-americano quebraram hoje a 'barreira psicológica' de 7 para 1.

 

De acordo com o portal de notícias financeiras chinês Yicai, cada dólar foi trocado por 7,0258 yuans, de acordo com a taxa "onshore" - aquela operada nos mercados locais, a cotação mais alta desde abril de 2008.

 

Quando a taxa "onshore" cresce é um sinal de que o renminbi (nome oficial da moeda chinesa) está a enfraquecer, já que é mais caro para os detentores de yuan comprar dólares.

 

Enquanto isso, a taxa "offshore" - a que é operada em mercados internacionais como o de Hong Kong - subiu 1,38% e ficou em 7,0683 yuans por dólar norte-americano. 

 

Foi a primeira vez que o yuan subiu acima de 7 em relação ao dólar, considerado por muitos analistas uma 'barreira psicológica' para os investidores, desde que o mercado 'offshore' foi aberto em Hong Kong em 2010.

 

Contudo, o Banco Popular da China indicou já que as flutuações do renminbi são ajustadas ao mercado, mas que a moeda chinesa "permanece estável e forte", garantindo ter "experiência, confiança e capacidade" para manter a estabilidade a um "nível apropriado" das taxas de câmbio no país.

 

Um porta-voz do Banco Popular da China disse, citado pelo mesmo portal, que a depreciação do yuan é justificada por "medidas unilaterais e protecionismo comercial", bem como "a imposição de aumento de tarifas contra a China", numa clara referência ao último episódio da guerra comercial que Pequim e Washington mantêm desde março de 2018.




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