Economia Como a falência da Wow Air dizimou a economia da Islândia

Como a falência da Wow Air dizimou a economia da Islândia

Não é frequente o colapso de uma única empresa mudar o rumo da economia de um país. Mas é precisamente isso que parece estar a acontecer na Islândia.
Como a falência da Wow Air dizimou a economia da Islândia
Paul Taggart
Bloomberg 22 de maio de 2019 às 17:00

A recente falência da companhia aérea low-cost Wow Air infligiu um golpe tão grande na indústria do turismo da Islândia, e na economia em geral, que o banco central do país cortou esta quarta-feira a sua taxa de juro de referência em meio ponto percentual, para 4%. O banco central também anunciou que a economia deverá contrair 0,4% este ano, o que compara com anterior projeção de um crescimento de 1,8%.

 

O anúncio deixa claro de que forma o colapso da Wow Air prejudicou a Islândia, que também foi penalizada por uma época de pesca desastrosa. A companhia aérea ajudou a transformar o turismo na maior fonte de receitas da Islândia, alimentando uma expansão que ajudou a retirar o país do colapso financeiro há mais de uma década. O seu fim, em março, significou também um fim abrupto para essa expansão.

Assim como outras companhias aéreas europeias com problemas financeiros, a Wow vinha tendo dificuldades em suportar o aumento dos custos dos combustíveis e o excesso de capacidade do setor. Várias rondas de negociações com potenciais investidores fracassaram, impossibilitando o resgate da empresa.

 

O banco central afirmou que a "deterioração das perspetivas económicas levaram a uma mudança significativa nas estimativas para a inflação num curto período de tempo".

 

A autoridade monetária reviu em alta as estimativas para o desemprego este ano de 3,1% para 3,9%, e antecipou que a inflação deverá atingir os 3,4% em 2019, e depois cair em direção à meta de 2,5% nos próximos dois anos.  

 

O governo já sinalizou que poderá intervir para ajudar a economia, depois de ter passado os últimos anos a reduzir a dívida para aumentar as almofadas de segurança, enquanto o banco central reforçou as suas reservas em moeda estrangeira.

 

"Embora a contração económica seja um desafio para as famílias e empresas, a economia é muito mais resiliente do que no passado", afirmou o banco central. "Além disso, a política monetária tem uma margem considerável para responder à contração, particularmente se a inflação e as expectativas de inflação permanecerem próximas da meta, como se prevê atualmente".




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