Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Como são as principais greves que estão a marcar o final do ano

Numa altura em que há vários pré-avisos de greve em cima da mesa, o Negócios procurou caracterizar as principais paralisações previstas até ao final do ano. São mais longas e mais focadas. Algumas têm fundos promovidos pelos sindicatos ou na internet.

Bombeiros profissionais

Bombeiros profissionais

Incidência. Greve dos bombeiros profissionais das corporações da administração local em 23 municípios, entre eles Lisboa e Porto, contra o Estatuto dos Bombeiros Profissionais da Administração Local e o respectivo regime de reforma.

Duração. 15 dias, de 19 de Dezembro de 2018 a 2 de Janeiro de 2019.


Quem convoca.
Um pré-aviso do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP), afecto à CGTP. Outros sindicatos estão associados. Existem serviços mínimos.


Financiamento.
Em 2013, a Associação Sindical dos Bombeiros Profissionais e o SNBP criaram um fundo social para apoiar bombeiros com cortes salariais e que fizessem greve. Não foi possível clarificar se se mantém.


Observações.
Num boicote promovido pela Liga dos Bombeiros, 85% das corporações deixaram de reportar ocorrências aos centros distritais da Protecção Civil.

Enfermeiros

Enfermeiros

Incidência. Greve às cirurgias marcadas nos hospitais de S. João e Universitários de Coimbra, Porto, Setúbal e Santa Maria. Exigem as carreiras de chefe e especialista e descongelar as progressões a todos.


Duração.
40 dias, de 22 de Novembro de 2018 a 31 de Dezembro de 2018. Enfermeiros do Movimento 'Greve Cirúrgica' admitem uma segunda paralisação.


Quem convoca.
Um pré-aviso do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), afecto à UGT e criado em 2017. Existem serviços mínimos.


Financiamento.
Um grupo de enfermeiros lançou dois crowdfundings para apoiar os grevistas e conseguiu 360 mil euros na primeira campanha (já concluída) e 48 mil na segunda (acaba em Janeiro).


Observações.
A Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE) cancelou a greve prevista para 26, 27 e 28 de Dezembro. Este sindicato não está associado à 'Greve Cirúrgica' que decorre.

Estivadores

Estivadores

Incidência. Greve ao trabalho suplementar em todos os portos nacionais, contra a precariedade em Setúbal e "a perseguição aos sócios do SEAL por discriminação salarial em Leixões e Caniçal".


Duração.
Quatro meses e meio, de 13 de Agosto de 2018 a 1 de Janeiro de 2019.


Quem convoca.
Um pré-aviso e vários prolongamentos entregues pelo Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL).


Financiamento.
 O SEAL apoia um fundo de apoio para os colegas precários do protesto do Porto de Setúbal, disponibilizando uma conta bancária para quem quiser contribuir. O titular é um dirigente sindical.


Observações.
A paralisação do Porto de Setúbal, onde 90% são precários, ocorreu sem uma greve, mas porque esses funcionários se recusaram a trabalhar. O protesto terminou com um acordo para a integração.

Guardas prisionais

Guardas prisionais

Incidência. Greve em todos os serviços prisionais. Trabalhadores exigem alterações ao estatuto profissional, em questões como a estrutura da carreira e as remunerações.

Duração. Está a decorrer uma greve de entre 1 a 31 de Dezembro. Nos casos anteriores de greves às horas extra e sectoriais, a prisão de Lisboa esteve cerca de 300 dias em greve e as restantes cerca de 40-50 dias.

Quem convoca. Em 2018, 47 pré-avisos de greve (5 desconvocados) do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), que tem cerca de 80% dos associados e é independente. Existem serviços mínimos.

Financiamento. Os associados do SNCGP podem recorrer a um "fundo de apoio à greve" que apoia os guardas prisionais.

Observações. As greves marcadas para estabelecimentos prisionais específicos estão relacionadas com problemas sectoriais, como falta de guardas ou de higiene.

Professores

Professores

Incidência. Greve ao trabalho extraordinário. Os docentes estão contra as "ilegalidades" que os obriga a trabalhar além das 35 horas e defendem a contabilização da totalidade do tempo de serviço na progressão de carreiras.

Duração. Esta greve decorre desde 29 de Outubro e, para já, existem pré-avisos de greve até Janeiro, o que coloca esta greve nos dois meses e meio. Mas os professores admitem prolongá-la durante todo o ano lectivo.

Quem convoca. A FENPROF, afecta à CGTP, e mais 9 estruturas sindicais apresentaram já 52 pré-avisos diários para esta greve às "ilegalidades" nos horários de trabalho. Não existem serviços mínimos.

Financiamento. A questão do financiamento não se coloca por esta ser, na prática, uma greve às horas além do horário (não pagas). Os trabalhadores não estão a perder salário - só estão a trabalhar as horas que deveriam, diz a FENPROF.

Observações. Os professores dizem que é cedo para falar de outras greves, mas estão agendadas várias acções para o próximo ano como forma de protesto contra a decisão de recuperar apenas parcialmente o tempo de serviço congelado.

Registos e notariado

Registos e notariado

Incidência. Greve nacional dos trabalhadores do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), quer trabalhem nos serviços centrais ou externos. Contestam os atrasos nas publicações dos concursos.


Duração.
Greve de cinco dias, entre 26 e 31 de Dezembro. Mas o pré-aviso de greve entregue prevê mais três paralisações: em 29 e 30 de Abril, em 2 e 3 de Maio e entre 12 e 16 de Agosto.


Quem convoca.
Um pré-aviso de greve entregue pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN), um sindicato independente fundado em 1975. Existem serviços mínimos, dos quais o STRN discorda.


Financiamento.
Não foi possível confirmar se têm ou não fundo de greve.


Observações.
Uma outra greve destes trabalhadores, convocada por outro sindicato, o Sindicato Nacional dos Registos (SNR), cancelou uma greve de três meses, após a PGR concluir que este protesto era ilícito, por ser "self-service": cada trabalhador podia decidir em que dia ou dias deixava de trabalhar.

Técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica

Técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica

Incidência. Greve nacional com especial foco nos blocos operatórios, altas e internamentos hospitalares, para retomar as negociações de regulamentação das carreiras.

Duração. Greve de 12 dias intercalares em Dezembro: 11, 12, 14, 18, 19, 21, 26, 27, 28 e 31 de Dezembro.

Quem convoca. Sete pré-avisos de greve entregues pelo Sindicato de Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (SINDETE), afecto à UGT. Mais três sindicatos apoiam. Há serviços mínimos.

Financiamento. Não existe fundo de greve e o SINDETE afirma que os trabalhadores têm suportado o custo sozinhos.

Observações. Estes trabalhadores tiveram uma greve de 24 dias em 2017, com um forte impacto no seu salário. Por esse motivo, optaram agora por uma greve mais curta.

Susana Paula susanapaula@negocios.pt 21 de Dezembro de 2018 às 19:00
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...
Ver comentários
Saber mais greves
Outras Notícias