Economia Confiança dos investidores na Alemanha em mínimo de 2011 na sombra de eventual recessão

Confiança dos investidores na Alemanha em mínimo de 2011 na sombra de eventual recessão

A possibilidade de recessão tem abalado o sentimento nos mercados e, na Alemanha, a confiança dos investidores segue abalada pelo quarto mês consecutivo, descendo a um mínimo de 2011.
Confiança dos investidores na Alemanha em mínimo de 2011 na sombra de eventual recessão
Michele Tantussi
Ana Batalha Oliveira 13 de agosto de 2019 às 11:30

A confiança dos investidores numa evolução positiva da economia alemã recuou pelo quarto mês consecutivo, numa altura em que os indicadores que apontam para uma possível recessão se acumulam.

Os dados do centro de investigação Leibniz Centre for European Economic Research mostram que as expectativas dos investidores desceram ao nível mais baixo desde 2011, ainda abaixo dos cenários mais pessimistas avançados pelos analistas consultados pela Bloomberg.

A perspetiva é a de que a maior economia europeia, a alemã, tenha contraído no segundo trimestre. Esta estará a ser prejudicada por um abrandamento no crescimento global e pela incerteza quanto ao desenrolar das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, as quais têm vindo a pesar nas contas alemãs através da diminuição da procura.

Os economistas consultados pela Bloomberg apontam para que a maior economia europeia tenha contraído 0,1% no segundo trimestre face aos três meses anteriores. A confirmar-se esta evolução negativa, a Alemanha estará em contração, mas não em recessão, já que no primeiro trimestre o PIB cresceu 0,4% em cadeia.

Contudo, a recessão apresenta-se como um receio cada vez mais premente a nível internacional. Um dos sinais que mais tem gerado alarme é a inversão da curva de rendimentos da dívida norte-americana, em específico a relação entre os juros a dois e a dez anos, pois antecipou todas as recessões dos últimos 40 anos. Os mercados deixam outras duas pistas: as cotações do ouro têm-se elevado a máximos, com o metal amarelo a ascender acima dos 1.500 dólares por onça. Já o petróleo "deixa a pista" ao mover-se no sentido contrário, traduzindo os receios de uma diminuição na procura decorrente do abrandamento económico mundial.

A alimentar o nervosismo está o rol de indicadores económicos negativos. No caso da Alemanha,  tanto a produção industrial como as exportações continuam em queda. O PIB da Zona Euro que cresceu apenas 0,2% em cadeia no 2.º trimestre, desacelerando face ao primeiro trimestre. Em Itália, prevê-se que a economia estagne ou contraia. E por fim, no Reino Unido, o PIB do segundo trimestre contraiu, o que não acontecia desde 2012. Apesar disto, a maioria das previsões aponta para uma recuperação em 2020.

Um último fator a abalar a confiança dos investidores é a opção de vários bancos centrais de baixar as taxas de juros diretoras, com o objetivo de estimular as diferentes economias. A Fed é o exemplo de maior destaque, tendo anunciado em 2019 a primeira descida nos juros em dez anos, mas também o Banco Central Europeu deverá seguir o mesmo caminho em setembro.




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