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Conselheira de Trump defende veto a refugiados com massacre que nunca existiu

Kellyanne Conway justificou a medida para travar a entrada de alguns imigrantes e de refugiados no país invocando um massacre que nunca aconteceu e um comportamento da administração Obama que também não se verificou. A conselheira já corrigiu as declarações.

kellyanne conway
Reuters
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2017 às 16:28
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Uma conselheira do presidente norte-americano justificou as medidas de restrições de entrada de alguns estrangeiros no país, decretadas por Donald Trump, com a existência de um massacre no país que, na verdade, nunca aconteceu.

"Acredito que é informação nova para o público que o presidente Obama aplicou um veto de seis meses ao programa de refugiados do Iraque depois de dois iraquianos terem vindo para cá radicalizados e tendo sido as mentes por detrás do massacre de Bowling Green. Ninguém o noticiou," disse Kellyanne Conway em declarações à estação de televisão NBC.


O facto é que, segundo a imprensa norte-americana, tal "massacre" nunca aconteceu, como mais tarde Conway haveria de reconhecer, corrigindo a informação através de uma publicação no Twitter:


"No [programa] @hardball [na] @NBCNews@MSNBC eu queria dizer 'terroristas de Bowling Green terrorists' tal como está noticiado aqui!," fazendo depois uma ligação para uma notícia publicada no site da ABC.

Os dois iraquianos referidos viviam em Bowling Green, Kentucky e tinham entrado como refugiados nos EUA em 2009. Foram detidos em 2011 e condenados dois anos depois a penas  prisão que oscilaram entre os 40 anos e pena perpétua, sob a acusação de tentarem obter armamento para a al Qaeda no Iraque.


A CNN refere que, embora se tratassem de terroristas que nunca deviam ter entrado no país, não planeavam um ataque em solo americano nem mataram ninguém naquela cidade do Kentucky.


Por outro lado não houve um veto total à entrada de iraquianos, tendo a administração Obama ordenado que a situação de cerca de 58 mil iraquianos chegados recentemente ao país fosse reverificada, adiando a entrada de novos refugiados.

O presidente Trump assinou há uma semana uma ordem executiva a proibir por três meses a entrada de cidadãos provenientes de sete países de maioria muçulmana (Irão, Iraque, Iémen, Líbia, Síria, Somália e Sudão) e a suspender por quatro meses o programa de acolhimento de refugiados, justificando as medidas com a necessidade de travar ameaças terroristas nos EUA. 

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