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Consumo público e exportações explicam travagem da recessão nos EUA

O consumo público continua a ser a única componente da economia norte-americana com comportamento positivo, e é sobretudo aos gastos do Estado federal, em particular do Ministério da Defesa, que se deve o facto de a recessão ter aliviado no segundo trimestre.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 27 de Agosto de 2009 às 14:04
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O consumo público continua a ser a única componente da economia norte-americana com comportamento positivo, e é sobretudo aos gastos do Estado federal, em particular do Ministério da Defesa, que se deve o facto de a recessão ter aliviado no segundo trimestre do ano. Mas, entre Março e Junho, também as exportações caíram menos que no trimestre anterior, o mesmo tendo sucedido ao consumo privado, o que sugere uma relativa estabilização da conjuntura recessiva na que é a maior economia do global.

Os dados hoje divulgados pelo departamento norte-americano do Comércio, confirmam que o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma queda anualizada de 1% no segundo trimestre, o que compara com recuos tremendos de 6,4% e de 5,4% nos trimestres imediatamente anteriores.

A justificar esta travagem considerável no ritmo de deterioração da economia norte-americana está a subida dos gastos públicos (6,4%, que compara com 5,6% no trimestre anterior, e que se concentram em particular no capítulo da defesa nacional), mas também uma queda menos acentuada das exportações (- 5%, que compara com -7% nos três meses anteriores) e do consumo privado (-1%, face a -1,2%). Já o investimento manteve o mesmo ritmo de retracção (-13,5%).

A economia norte-americana prosseguiu, assim, em recessão no segundo trimestre do ano, altura em que Alemanha, França e Japão deram já sinais de alguma recuperação. A expectativa dos economistas é que os Estados Unidos tenham, no entanto, “batido no fundo” no final de Julho e se preparem para regressar a terreno positivo neste terceiro trimestre, pondo então termo à mais profunda recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

É essa a convicção de Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, que sustenta que a pior fase da recessão estará a ser ultrapassada, mas que é preciso que o sector público continue a estimular a actividade económica.

"É muito possível que, retrospectivamente, possamos vir a dizer que a recessão acabou em Julho ou em Agosto, ou talvez em Setembro. O que penso é que já batemos no fundo e que Agosto foi o mês da inversão". Mas, sublinha o professor de Princeton, "deixámos de estar em queda livre, o que é muito diferente de regressar à normalidade".

Os mais recentes indicadores sobre o andamento da actividade neste terceiro trimestre têm trazido quase sem excepção, só boas notícias.

As encomendas de bens duradouros, fabricados nos EUA, subiram em Julho e registaram mesmo a maior subida dos últimos dois anos, puxadas pela maior procura de aviões e de equipamento de telecomunicações.

Também as vendas de casas novas subiram em Julho, desta feita ao ritmo mais elevado dos últimos quatro anos, fornecendo uma nova indicação de que a pior fase da recessão na maior economia do mundo terá ficado para trás.

Do lado dos indicadores qualitativos, também o índice de confiança dos consumidores medido pelo Conference Board trouxe boas notícias, ao subir em Agosto para 54,1 pontos, acima do previsto e pela primeira vez em três meses.
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