Europa Corbyn quer nacionalizar rede de fibra ótica para garantir banda larga gratuita

Corbyn quer nacionalizar rede de fibra ótica para garantir banda larga gratuita

O secretário-geral trabalhista promete acesso livre e gratuito à rede de fibra ótica britânica se vencer as eleições antecipadas de 12 de dezembro. Para isso propõe nacionalizar a empresa da BT que gere a fibra ótica. Boris Johnson, que também prometeu garantir acesso gratuito à banda larga, considera proposta do Labour como "fantasiosa".
Corbyn quer nacionalizar rede de fibra ótica para garantir banda larga gratuita
Reuters
David Santiago 15 de novembro de 2019 às 10:08

Está a aquecer a campanha já em curso para as eleições gerais britânicas antecipadas para o próximo dia 12 de dezembro. Jeremy Corbyn prometeu que, se vencer as eleições, vai assegurar acesso gratuito à banda larga para todas as famílias, até 2030.

 

O secretário-geral do Labour e líder da oposição pretende nacionalizar a Openreach, braço da empresa de telecomunicações BT que detém e gere a rede digital de fibra ótica britânica, e assim garantir acesso livre à banda larga de fibra ótica operada por esta empresa cotada. A BT, que é a maior operadora britânica de telefones móveis e banda larga, desvaloriza 0,06% na praça londrina.

Além da Openreach, o plano trabalhista inclui ainda a nacionalização das filiais BT Technology, da BT Enterprise e da BT Consumer. A BT foi privatizada em 1984 pelo então governo conservador de Margaret Tatcher.
 

O ministro sombra dos trabalhistas para as Finanças, John McDonnell, explicou que tal medida exigirá uma modernização abrangente da infraestrutura de internet do Reino Unido, a qual seria financiada pelo aumento de impostos sobre gigantes tecnológicas tais como a dona do Google (Alphabet), o Facebook e a Amazon. O fundo de Transformação Verde seria também canalizado para custear a modernização da rede.

Já a nacionalização da BT seria suportada pela emissão de dívida pública, cujas obrigações seriam trocadas por ações da cotada. A operação teria um custo de 20 mil milhões de libras (cerca de 23,36 mil milhões de euros).

Segundo o excerto de um discurso que Corbyn fará esta sexta-feira, e que foi libertado para a imprensa pelos trabalhistas, o líder do Labour irá defender que "é tempo de tornar a rede de banda larga de fibra ótica livre para toda a gente, em todas as casas e todos os cantos do país".


Jeremy Corbyn dirá ainda que ao "criar uma rede britânica de banda larga enquanto serviço público" será possível "liderar o mundo ao usar investimento público para transformar" o Reino Unido. 

Também o Partido Conservador já avançou propostas para garantir acesso gratuito à rede de fibra ótica até 2025, embora sem passar por qualquer nacionalização. Sobre a prosposta de Corbyn, o líder dos "tories" e primeiro-ministro, Boris Johnson, disse ser "fantasiosa".

Labour tem amplo plano de nacionalizações
Assumidamente socialista e crítico da terceira via imprimida pela liderança de Tony Blair, Jeremy Corbyn defende há muito a nacionalização de setores e serviços estratégicos para o Reino Unido. Nesse sentido, as propostas eleitorais trabalhistas incluem a colocar na esfera do Estado o setor das águas, estradas, rede elétrica e os correios nacionais.

O Financial Times escreve que o Labour, seguindo o princípio marxista da rejeição da apropriação do trabalho pelo capital, propõe ainda confiscar cerca de 300 mil milhões de libras (em torno de 350 mil milhões de euros) em ações dessas empresas para as entregar aos trabalhadores das mesmas. Este tipo de proposta tem merecido a contestação de diversas figuras do Labour, nomeadamente de Blair, que assume pretender votar em Corbyn apesar de discordar do respetivo programa político.

A menos de um mês das eleições que Boris Johnson quis antecipar para capitalizar o acordo de saída alternativo da União Europeia, o qual ainda não foi aprovado pelo parlamento, e tentar recuperar para os "tories" a maioria absoluta perdida nas últimas eleições, o Partido Conservador continua destacado nas sondagens com intenções de voto médias de 40%, enquanto os trabalhistas permanecem a mais de 10 pontos percentuais de distância com apenas 29%

(Notícia atualizada às 10:35)




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