Empresas Costa: Apoios não servem para viabilizar "empresas que vão custar amanhã dinheiro aos contribuintes"

Costa: Apoios não servem para viabilizar "empresas que vão custar amanhã dinheiro aos contribuintes"

"Não se trata de viabilizar "empresas que vão custar amanhã dinheiro aos contribuintes, porque, não tendo viabilidade económica, vai depois ser o contribuinte a substituir-se no pagamento do crédito", diz o primeiro-ministro
Costa:  Apoios não servem para viabilizar "empresas que vão custar amanhã dinheiro aos contribuintes"
Lusa 12 de maio de 2020 às 12:14
O primeiro-ministro afirmou hoje que o Estado já concedeu garantias em linhas de crédito na ordem dos cinco mil milhões de euros e defendeu que a banca deve assumir um papel exigente para proteger o dinheiro dos contribuintes.

António Costa falava no Palácio da Ajuda, em Lisboa, no final da cerimónia de assinatura da declaração de compromisso dos parceiros sociais para a retoma económica e de assinatura do protocolo de cooperação entre a AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) e a DGS (Direção-Geral da Saúde).

Numa intervenção com cerca de 20 minutos, perante os parceiros sociais, o primeiro-ministro considerou que as medidas adotadas pelo Governo para atenuar os prejuízos económicos e sociais da pandemia de covid-19 "estão a ter seguramente efeitos".

"Até hoje, do conjunto de linhas de crédito definidas, o Estado já aprovou garantias num valor superior a cinco mil milhões de euros. Começamos a aproximarmo-nos do limite máximo dessas linhas de crédito que aprovámos", declarou.

No que diz respeito ao regime de lay-off-, o primeiro-ministro sustentou que já foram pagos até ao final de abril todos os requerimentos válidos até ao dia 1º desse mês. Neste ponto, António Costa reiterou o compromisso de pagar até ao final desta semana todos os requerimentos válidos que entraram até ao final de abril.

"Foi um esforço gigantesco pedido à Segurança Social", acentuou.

No entanto, neste capítulo, o primeiro-ministro aproveitou também para defender o papel dos bancos na intermediação dos processos de concessão de crédito às empresas.

"Ninguém gosta da burocracia e estou entre aqueles que menos gostam da burocracia. Gosto mesmo do Simplex, mas sei também que as garantias do Estado significam as garantias que os contribuintes estão a dar aos empréstimos concedidos", advertiu.

Mas António Costa foi ainda mais longe nestes recados, frisando que "os empréstimos não são dinheiro distribuído, mas, antes, são dinheiro contratado".

"É muito importante para a retoma que todos tenhamos confiança no destino do dinheiro público e na garantia do dinheiro dos contribuintes. Os bancos são os veículos de transmissão desse dinheiro à economia - e queremos que os bancos sejam exigentes na concessão de crédito, porque trata-se de viabilizar empresas que são viáveis, empresas que estão em crise por terem sido atingidas por esta pandemia de covid-19", argumentou.

Ou seja, segundo o líder do executivo, não se trata de viabilizar "empresas que vão custar amanhã dinheiro aos contribuintes, porque, não tendo viabilidade económica, vai depois ser o contribuinte a substituir-se no pagamento do crédito".

"Por isso, é natural que se queira saber que empresas são, qual a sua situação económica e qual a sua viabilidade económica. O dinheiro tem de ser distribuído com critério, porque se trata de dinheiro dos contribuintes - e os contribuintes estarão cá amanhã a pedir-nos contas desse dinheiro", frisou.

Ainda nesta fase do seu discurso, António Costa defendeu que a atribuição de crédito deve ser feita com transparência, razão pela qual "não deve ser o Governo a decidir qual a empresa que apoia ou não apoia".

"É bom que sejam os bancos a fazerem essa avaliação e a poderem tomar essa decisão", acrescentou.



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