Política Costa: "Se quer ouvir-me pedir desculpas eu peço desculpas"

Costa: "Se quer ouvir-me pedir desculpas eu peço desculpas"

O primeiro-ministro admitiu que houve falhas "graves" do Estado nos incêndios de Junho e Outubro que fizeram mais de 100 mortos. António Costa falava no debate quinzenal no Parlamento.
Costa: "Se quer ouvir-me pedir desculpas eu peço desculpas"
Pedro Elias

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu esta quarta-feira que houve falhas graves do Estado nos incêndios de Junho e Outubro, onde morreram mais de 100 pessoas. "É inequívoco que houve falhas graves dos serviços dos Estado", disse no Parlamento no debate quinzenal, no dia em que a ministra da Administração Interna se demitiu e um dia depois do Presidente da República ter endurecido o discurso com o Governo. 

Em resposta ao deputado do PS, Fernando Rocha Andrade, o primeiro-ministro afirmou que se associa à dor expressa no Parlamento, que antes tinha feito um voto de pesar pelas vítimas dos incêndios, mas defendeu que ao Governo cabe agir. 

"É sem dificuldade que me associo à consternação e à dor", mas ao "Governo não basta partilhar essas palavras", disse acrescentando que agora a pergunta é "como agir".

É preciso falar sobre as "reformas que assegurarão de modo duradouro que estes acontecimentos" não se voltam a repetir, disse Costa, elogiando as conclusões que saíram do relatório da comissão técnica independente que na semana passada apresentou o documento.

"Temos ali terreno fértil para construir o consenso técnico alargado", disse, numa referência a um dos recados enviados terça-feira à noite por Marcelo Rebelo de Sousa na comunicação ao país.  

Costa defendeu que é preciso "reforçar a prevenção", mas não adiantou qualquer medida das que serão aprovadas sábado no conselho de ministros extraordinário. "É agir que temos de fazer", declarou.

"Grande peso na consciência"

Questionado pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, sobre se está em "condições para pedir desculpa" pelos acontecimentos dos últimos dias, o primeiro-ministro pediu pela primeira vez "desculpa".


"Não vou fazer jogos de palavras, se quer ouvir-me pedir desculpas eu peço desculpas", atirou António Costa que garante se não o ter feito antes não significa ter um "menor peso na minha consciência".

 

Costa assumiu que nestes últimos meses seria impossível viver "sem um grande peso na consciência sobre o que aconteceu em Pedrógão e voltou a acontecer este fim-de-semana".

"Viverei com este peso na minha consciência ate ao fim da minha vida", acrescentou. 




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