União Europeia Costa disponibiliza-se para receber quase 3 mil requerentes de asilo que estão na Grécia

Costa disponibiliza-se para receber quase 3 mil requerentes de asilo que estão na Grécia

O primeiro-ministro português disse que Portugal pode acolher quase 3 mil requerentes de asilo que estão na Grécia. Costa enviou cartas a outros líderes, disponibilizando-se a receber um total de 10 mil refugiados.
Costa disponibiliza-se para receber quase 3 mil requerentes de asilo que estão na Grécia
David Santiago 19 de fevereiro de 2016 às 13:50

O Governo português demonstrou às autoridades gregas disponibilidade para receber em Portugal parte dos requerentes de asilo que permanecem em solo helénico. Em carta enviada por António Costa ao seu homólogo grego, Alexis Tsipras, o primeiro-ministro português disponibilizou-se a, num gesto de "solidariedade", receber em Portugal parte dos refugiados que permanecem nos campos de acolhimento helénicos.

 

De acordo com a versão inglesa do jornal grego Kathimerini, Costa disse a Tsipras que Portugal tem condições para inicialmente receber 2,8 mil requerentes de asilo, embora tenha capacidade para posteriormente receber outros 2,5 mil a 3 mil requerentes de asilo.

 

Na missiva citada pelo jornal helénico, o governante português reconhece que o número proposto por Lisboa não fará uma diferença substancial para os desafios actualmente defronte de Atenas.

 

Ainda assim, António Costa ressalva a importância de a União Europeia assegurar o apoio necessário à Grécia, cuja posição geográfica e linha fronteiriça porosa fazem com que o país esteja exposto à onda de refugiados que tenta chegar à Europa através da Turquia.

 

Tanto Costa como Tsipras estão em Bruxelas, onde decorre desde a passada quinta-feira um encontro do Conselho Europeu. Os líderes europeus estão concentrados na discussão em torno do enquadramento necessário a garantir que o Reino Unido possa permanecer no seio da união, embora tenham também discutido as crises migratórias e dos refugiados.

 

Depois da pressão exercida por alguns países sobre a Grécia, que chegou a ser ameaçada de suspensão ou expulsão do espaço Schengen, devido à incapacidade para controlar de forma efectiva as suas fronteiras externas, já esta semana Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, colocou de parte a possibilidade de Atenas abandonar Schengen.

 

A Comissão Europeia acusou mesmo Atenas de "negligenciar" o controlo das suas fronteiras e de não ter implementado o pacote de medidas decidido ao nível europeu com o objectivo de assegurar uma melhor gestão dos requerentes de asilo que diariamente chegam ao espaço comunitário, dando três meses a Atenas para que inverta a situação.

 

Na sequência deste alerta, na terça-feira o ministro grego da Defesa, Panos Kammenos, revelou já estão completamente operacionais quatro dos cinco centros de acolhimento que estavam em construção. Falta ainda o quinto, em construção na ilha de Kos, e que estará pronto num prazo de poucos dias, assegura Kammenos.

 

A Grécia reforçou os esforços para resolver este problema. E chegou a acordo com a Frontex, a agência responsável pelo controlo das fronteiras externas europeias, e com a NATO para o policiamento e controlo do Mar Egeu, por onde chega a generalidade dos migrantes, vindos do Médio Oriente e também de África, que têm como objectivo iniciar a rota dos Balcãs.

 

Apenas em 2016, já chegaram ao território helénico pelo menos 77 mil requerentes de asilo, número que compara com os 5 mil registados em idêntico período de 2015. Atenas, tal como Roma, já se queixou da demora na distribuição dos refugiados acordada segundo um sistema de quotas. "Esse processo de relocalização conduzido pela União Europeia não tem sido propriamente um sucesso", disse esta sexta-feira António Costa em Bruxelas.

Portugal disponível para receber no total cerca de dez mil refugiados

 

Além da Grécia, o primeiro-ministro português, António Costa, enviou cartas a homólogos de outros dos Estados-membros mais pressionados pelos fluxos migratórios disponibilizando-se para receber mais cerca de 5.800 refugiados além da quota comunitária

 

Segundo a Lusa, que cita fonte do Governo, deste modo Portugal poderia vir a acolher no total um número próximo de 10 mil refugiados. António Costa enviou na semana passada cartas à Grécia, Itália, Áustria e Suécia, nos mesmos termos da proposta apresentada no início do mês à chanceler alemã, Angela Merkel.

 

Em causa está a disponibilidade do Governo português para, "no espírito da solidariedade europeia", acolher até mais cerca de 5.800 refugiados, além da "quota" destinada a Portugal no quadro do sistema de recolocação de refugiados entre os Estados-membros (4295 pessoas ao abrigo do mecanismo de recolocação e 191 pessoas ao abrigo da reinstalação - ou seja, provenientes de países fora da UE - num total de 4486).

"Manifestámos disponibilidade aos nossos parceiros, estão a fazer a sua própria avaliação nos processos de registo nem sempre todos os países tem identificado qual o perfil profissional", disse António Costa ao início da tarde em Bruxelas.

 

A proposta apresentada por António Costa aponta para a disponibilidade do Governo em acolher cerca de dois mil estudantes universitários, 800 no ensino vocacional e entre 2.500 e 3.000 refugiados qualificados para trabalhar nas áreas agrícola e florestal, precisou fonte governamental à Lusa.

 

Na cimeira a decorrer até hoje, em Bruxelas, os chefes de Estado e do Governo da UE já exigiram "ver uma substancial e sustentável redução do número de entradas ilegais" a partir da Turquia para a Europa.

 

Nas conclusões sobre migrações da reunião, que também está a tratar a questão 'Brexit', lê-se que para a redução "substancial e sustentável" são precisos "mais e decisivos esforços também no lado turco para garantir uma implementação efectiva do plano de acção".

 

Após cerca de 10 horas de reunião, os líderes dos 28 reafirmaram ainda que a "rápida e completa implementação" do plano conjunto da União Europeia/Turquia "continua uma prioridade", para travar o fluxo de migrantes e combater os contrabandistas.

(notícia actualizada às 14:45 para dar conta que António Costa enviou cartas a outros países)




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