Finanças Públicas Credores europeus aprovam reembolso antecipado de dois mil milhões de euros de Portugal

Credores europeus aprovam reembolso antecipado de dois mil milhões de euros de Portugal

Os credores europeus aprovaram o reembolso antecipado de dois mil milhões de euros. Este é o primeiro pagamento antecipado que Portugal faz da parte do empréstimo que recebeu da Europa.
Credores europeus aprovam reembolso antecipado de dois mil milhões de euros de Portugal
Miguel Baltazar/Negócios
Tiago Varzim 05 de setembro de 2019 às 10:54
Os credores europeus aprovaram o reembolso antecipado de dois mil milhões de euros por parte de Portugal. O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), liderado por Klaus Regling (na foto), anunciou esta quinta-feira, 5 de setembro, que Portugal foi autorizado a fazer o reembolso antecipado que tinha sido anunciado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno.

O pagamento antecipado de dois mil milhões de euros corresponde ao pagamento total de um tranche do empréstimo cuja maturidade era de agosto de 2025. Além disso, engloba também o pagamento parcial de uma tranche com maturidade de dezembro de 2025. Esse ano fica assim com um perfil de pagamentos menos intenso para o IGCP, a agência que gere a dívida pública.

"O pedido de Portugal para um pagamento antecipado do empréstimo confirma que o país tem um forte acesso aos mercados e uma posição de liquidez confortável", afirma Regling no comunicado, referindo que o crescimento económico de Portugal "mantém-se forte apesar da desaceleração da Zona Euro". Em causa está a estabilização do crescimento do PIB português no segundo trimestre ao passo que o PIB da Zona Euro travou.

"Apoio totalmente o pagamento antecipado do empréstimo na medida em que isso melhora a sustentabilidade da dívida [pública] de Portugal", afirma o presidente do MEE. O Mecanismo revela que o ministro das Finanças, Mário Centeno, entregou um pedido formal para um pagamento antecipado a 28 de junho, o qual foi agora aceite.

No final do ano passado, após vários pagamentos antecipados, Portugal concluiu o pagamento total da parte do empréstimo da troika que tinha sido financiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), cerca de 26 mil milhões de euros. Quando autorizaram Portugal a pagar antecipadamente ao FMI, os credores europeus tinham exigido ao país que iniciasse os pagamentos à Europa entre 2020 e 2023, o que acaba por acontecer já em 2019.

No total, os credores europeus emprestaram cerca de 51 mil milhões de euros a Portugal. Com este pagamento antecipado, o Governo português consegue assim substituir dívida com juros mais altos - o custo estimado do empréstimo do MEEF é de 2,6% e o do FEEF é de 1,7% - por financiamento nos mercados a juros mais baixos numa altura em que as "yields" associadas às obrigações soberanas da Zona Euro estão em mínimos históricos. 

Segundo disse Centeno à Lusa no início de agosto, este pagamento "trará poupanças superiores a 100 milhões de euros em juros adicionais para Portugal nos próximos anos".

(Notícia atualizada às 11:30)



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