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Crise não dá férias aos bancos centrais

O mês de Agosto é habitualmente calmo nos mercados e mês de férias tranquilas para os responsáveis pela definição da política monetária dos principais bancos centrais.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 04 de Agosto de 2008 às 00:01
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O mês de Agosto é habitualmente calmo nos mercados e mês de férias tranquilas para os responsáveis pela definição da política monetária dos principais bancos centrais.

Nada disto se vai passar este ano, sendo que a crise obrigou mesmo Jean-Claude Trichet a cancelar a habitual “folga” prevista para este mês. Assim, o “prato forte” desta semana nos mercados vai ser as reuniões dos três principais bancos centrais do mundo.

Apesar de as previsões apontarem para que não surjam alterações no preço do dinheiro das três economias, as declarações dos responsáveis serão escutadas com toda a tenção, uma vez que o mercado procura mais pistas sobre a evolução futura dos juros e qual das variáveis preocupa mais os bancos: a escalada da inflação ou o abrandamento económico.

A forte subida dos preços na Zona Euro tem sido a principal “dor de cabeça” do BCE. Depois da subida de juros em Julho, para 4,25%, Trichet deu sinais de que não seria necessário mais aumentos. Contudo, as pressões inflacionistas são cada vez maiores – a inflação em Julho subiu para 4,1%, atingindo um novo máximo de 16 anos – o que levou já o mercado a especular que o BCE poderá ser voltar a subir os juros.

Citando fontes da autoridade monetária europeia, a Reuters noticiou que o BCE vai subir os juros se a escalada da inflação persistir, mesmo se a economia continuar a abrandar. E os sinais de que a economia europeia está cada vez mais débil estão a aumentar, com a confiança dos consumidores e empresários da região a atingir o nível mais reduzido desde os ataques terroristas do 11 de Setembro. Apesar das ameaças, o cenário central dos economistas aponta para uma manutenção dos juros até meados de 2009.

Expectativas que podem sofrer alterações, consoante o discurso que Trichet proferir na reunião agendada para o dia 7. O BCE reúne todas primeiras quintas-feiras de cada mês, mas habitualmente fazia uma pausa em Agosto. A crise levou o BCE a cancelar esta “folga” em Agosto do ano passado. Essa reunião decorreu através de video-conferência, mas este ano os membros do Conselho de Governadores vão mesmo ter que ir a Frankfurt.

Nos EUA a inflação é também cada vez mais uma preocupação do banco central, dai que após uma série de descidas no preço do dinheiro, as expectativas apontam para que a Fed tenha que subir os juros caso a inflação acelere.

Contudo, com a economia a dar sinais de cada vez maior debilidade – a recessão pode já ter começado em finais de 2007 – Ben Bernanke tem para já as “mãos atadas”, pelo que deverá manter os juros nos 2%.

Dilema idêntico tem o presidente do Banco de Inglaterra, pois apesar da economia britânica estar à beira de uma recessão, a escalada de inflação impede uma descida dos juros.

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