Política Cristas: política não é "actividade de má fama" e tem de ser para os melhores

Cristas: política não é "actividade de má fama" e tem de ser para os melhores

Assunção Cristas justifica a candidatura à liderança do partido com a sua experiência pessoal, familiar e até religiosa, bem como pela convicção de que a política não pode ser "uma atividade de má fama", mas para os melhores.
Cristas: política não é "actividade de má fama" e tem de ser para os melhores
Bruno Simão/Negócios
Lusa 12 de março de 2016 às 21:16

"Hoje, também sou política e digo-o com orgulho, porque ser política e estar na política deve-nos entusiasmar a todos e ser um motivo de orgulho para todos, não é uma actividade menor, não é uma actividade de má fama, apenas para aqueles que não conseguem fazer outra coisa na vida, tem de ser para os melhores de nós", defendeu Assunção Cristas, perante o 26.º Congresso do CDS-PP, que decorre até domingo em Gondomar (Porto).


Num discurso que começou pontualmente ao início da hora dos telejornais, 20:00, Cristas disse ter feito uma reflexão sobre se deveria ou não avançar para a liderança do partido: "Aqui estou convictamente, com muita vontade de trabalhar com todos, quero fazer pelo nosso país aquilo que pude fazer pela agricultura e pelo mar de Portugal".

Assunção Cristas justificou falar pela segunda vez no primeiro dia de trabalhos com "o que ficou por dizer": um retrato sobre o seu percurso pessoal, profissional, a sua condição de mulher e mãe e a sua fé católica.


A ex-ministra da Agricultura lembrou que nasceu em Luanda, poucos meses depois do 25 de Abril de 1974, e, já em Portugal, os seus pais tiveram de recomeçar a vida aos 40 anos, dizendo que sempre o fizeram sem mágoa e com optimismo.


"É esse optimismo de que sou feita, otimismo por natureza e também por razão, acredito e sei que ser otimista a pensar positivo é meio caminho andado para as coisas correrem bem (…) Falta otimismo, falta vontade de vencer, falta sonho largo como a terra onde nasci", defendeu.


Às eventuais críticas segundo as quais este Congresso estaria a ser "muito morno", Assunção Cristas considerou que tal é positivo: "Lá fora, as pessoas não gostam das ofensas, do sangue, não gostam das pessoas a dizer mal uns dos outros, gostam que olhemos para os seus problemas e encontremos uma solução".


A candidata à liderança do CDS atribuiu esta vontade de consensos e diálogo com a sua condição de mulher e lembrou que foi também o seu partido que teve a primeira líder parlamentar mulher, Maria José Nogueira Pinto.


"Dar espaço às mulheres significa dar espaço a esta outra forma de estar, menos bélica, mais aberta a consensos, mas saber que a construção se faz neste diálogo ambicioso e positivo", disse.


Assunção Cristas disse ainda que a sua condição de mãe de quatro filhos não a impede, até pelo contrário, de entender que existem outros caminhos de felicidade, numa referência às chamadas questões fraturantes.


"Creio que a nossa sociedade deve ter toda a abertura, todo o acolhimento, todo o respeito e não é apenas tolerância, é amor, por todos os caminhos de felicidade que as pessoas queiram ter", defendeu.


Cristas fez questão de completar este retrato pessoal salientando a sua fé católica, que considerou "o mais estrutural" da sua vida, embora realçando o carácter laico e não confessional de qualquer partido.


"Isso para mim significa um desassossego permanente - enquanto houver gente pobre, com fome, doentes, gente que precisa de nós para alcançar o nosso sonho de vida, nós não podemos estar satisfeitos", disse.


A terminar, Cristas citou um provérbio angolano: "Quem quer ir depressa vai sozinho, quem quer ir longe vai acompanhado, eu quero ir longe, muito longe, acompanhada de todos vós nesta sala e de todos os que se vão juntar a nós", disse.




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