Economia Depois dos Vistos Gold semana de Carlos Alexandre termina com detenção de Sócrates

Depois dos Vistos Gold semana de Carlos Alexandre termina com detenção de Sócrates

O juiz titular do Tribunal Central de Investigação Criminal torna-se cada vez mais poderoso. Este ano não tem parado. Depois de detido e ouvido Ricardo Salgado, esteve na última semana envolvido com o caso dos vistos Gold. E entrará no fim-de-semana a ouvir José Sócrates. Veja quem é Carlos Alexandre.
Depois dos Vistos Gold semana de Carlos Alexandre termina com detenção de Sócrates

O juiz Carlos Alexandre deverá ouvir este sábado José Sócrates, detido esta sexta-feira, 21 de Novembro, quando regressava de Paris.

 

Carlos Alexandre é dos mais poderosos juízes. Em Julho ordenou a detenção do ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, que saiu em liberdade sob caução de três milhões de euros.

 

Já neste mês de Novembro pegou em mãos a investigação aos Vistos Gold, que para já teve como consequência a demissão do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Depois de presentes a tribunal, cinco dos onze arguidos ficaram detidos, podendo, ainda assim, três deles converter a medida de coação para pulseiras electrónicas. O presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, e o empresário chinês Zhu Xiaodong ficaram em prisão preventiva. A ex-secretária-geral do Ministério da Justiça Maria Antónia Anes, Jaime Gomes, sócio-gerente da empresa JMF Projects and Business, e Manuel Jarmela Palos, ex-director nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), ficaram em prisão preventiva, uma medida de coacção que poderá ser convertida em pulseira electrónica.

 

Os arguidos Paulo Eliseu, Paulo Vieira, José Manuel Gonçalves e Abílio Silva foram suspensos das suas funções nos serviços centrais do Instituto dos Registos e Notariado e proibidos de estabelecerem contactos com funcionários dos referidos serviços.

 

Mas Manuel Jarmela Palos acabaria por ser exonerado por Anabela Rodrigues, ministra da Administração Interna que sucedeu a Miguel Macedo.

 

Findo este interrogatório, e aplicadas as medidas de coacção, Carlos Alexandre tem agora de ouvir José Sócrates detido pelo caso que envolve também três elementos do grupo Lena. José Sócrates já tem a condição de arguido, segundo o comunicado da Procuradoria-Geral da República.

 

Quem é Carlos Alexandre?

 

Nos últimos anos, os chamados crimes de "colarinho branco" que maior notoriedade pública registaram contam com as intervenções do juiz Carlos Alexandre.

  

Como magistrado judicial responsável pelo Tribunal Central de Investigação Criminal, Carlos Alexandre trabalha a par e passo com o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e o seu nome ficará associado a casos de grande impacto público, como o já referido Monte Branco, mas também as operações Furacão, Portucale, Face Oculta, BPN ou Remédio Santo.

  

No mundo da advocacia, há quem o admire, mas também quem o odeie. Se alguns dos actores da Justiça que lidam ou já lidaram com Carlos Alexandre lhe chamam "Mourinho da Justiça", por causa da sua obstinação, há porém quem prefira, de forma pejorativa, designá-lo como o "Garzón português", acusando-o de gostar de protagonismo.

 

O juiz espanhol Baltazar Garzón, conhecido mundialmente pelo arrojo em desafiar os mais poderosos, teve também a seu cargo a responsabilidade de conduzir processos relacionados com crimes de "colarinho branco". Foi o caso da investigação das suspeitas de lavagem de dinheiro que penderam, na última década, sobre o grupo financeiro espanhol BBVA.

 

Afinal, no caso de Carlos Alexandre, foram as suas intervenções nos casos mais mediáticos de criminalidade económica e financeira as causas directas do seu protagonismo público. Ele que se iniciou no mundo do Direito e da Justiça depois de completar a licenciatura na Faculdade de Direito de Lisboa, onde se cruzou, por exemplo, com os socialistas António Costa e Eduardo Cabrita. Passou depois pela Polícia Judiciária Militar, mas optou por seguir a carreira da magistratura judicial, tendo desempenhado funções, nomeadamente, nas varas mistas de Sintra. Chegou ao Tribunal Central de Investigação Criminal, o conhecido "Ticão", em 2004. Era então titular a juíza Fátima Mata-Mouros. Dois anos depois passou a responsável máximo daquele tribunal.

 

Católico, sportinguista, natural de Mação

 

Sportinguista assumido, Carlos Alexandre é também um católico devoto que gosta de regressar às origens. Participa sempre nas comemorações da Páscoa, em Mação, a localidade da Beira Baixa onde nasceu há 52 anos. Filho de um carteiro e de uma operária fabril, estudou na Telescola e nas férias chegou a ajudar o pai nas obras.

 

Pese embora o acusem de procurar protagonismo, a verdade é que foram raras as vezes em que se expôs na comunicação social. Indirectamente, através de um amigo e conterrâneo, o antigo assessor do Partido Socialista António Colaço, foi possível ver, há dois anos, no blogue Ânimo, Carlos Alexandre na celebração pascal de Mação. Mais do que o lado do devoto, ganharam força as afirmações do magistrado judicial, então transcritas no "Diário de Notícias".

 

"No contexto de uma diligência que se procurava tomar contacto com documentação, foi-nos dito por uma pessoa com importância na praça que estava ali a mando de alguém para acompanhar aquele acto, porque quando o dinheiro falava, a verdade calava. Comigo a verdade falará sempre mais alto", sentenciou o juiz.

 

O juiz Carlos Alexandre foi o 33º Mais Poderoso do 'ranking' do Negócios em 2014. 

 

 




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