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Depois da Grécia... a Hungria?

É melhor olharmos para o Norte de Atenas, e não para Oeste, quando procuramos o próximo país que vai ter problemas, avisa Maya Bhandari da Lombard Street Research (LSR) Ou seja, o mais provável é que, a seguir à Grécia, seja a Hungria e não Portugal ou Espanha quem vai estar na ribalta... pelos piores motivos.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 19 de Abril de 2010 às 15:09
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É melhor olharmos para o Norte de Atenas, e não para Oeste, quando procuramos o próximo país que vai ter problemas, avisa Maya Bhandari da Lombard Street Research (LSR) Ou seja, o mais provável é que, a seguir à Grécia, seja a Hungria e não Portugal ou Espanha quem vai estar na ribalta... pelos piores motivos.

Apesar de considerar que fazer paralelos pode ser perigoso, a analista não pode deixar de salientar, numa nota de análise da LSR citada pelo “Financial Times Alphaville”, que os bancos húngaros têm empréstimos 1,2 vezes acima do valor dos depósitos, estando a ser severamente testados pelos mercados, tal como os bancos gregos.

Ao contrário de muitos economistas, que consideram que Portugal e Espanha são os principais alvos de contágio da crise grega, a LSR acredita que o problema não estará nos países do Club Med (Portugal, Espanha e Itália).

“A Grécia confessou francamente qual era a sua situação orçamental. A Hungria, após as eleições, fará o mesmo”, refere Maya Bhandari na nota de “research” da empresa de consultoria especializada em previsões macroeconómicas.

“Os bancos húngaros estão em suspenso num precipício. Eles começaram por ser resgatados pelas suas casas-mãe europeias – a Áustria, a Alemanha e Itália ‘detêm’ 24%, 21% e 17%, respectivamente, do sistema bancário húngaro – e por generosos pacotes internacionais de ajuda”, salienta a analista.

E prossegue: “Entretanto, a economia húngara tem sofrido com a sua economia orientada para as exportações, pela tomada de decisões restritivas por parte do FMI e por um banco central que, até há muito pouco tempo, manteve as taxas de juro elevadas para evitar um movimento vendedor de moeda, o que devastaria os balanços do sector privado”.

“A Hungria está entre as economias mais penalizadas nesta crise – entrou em recessão no segundo trimestre de 2008, antes de a crise descolar – e tem estado entre as que revelam maiores dificuldades em recuperar. Até agora, registou uma contracção de 8,5% em termos reais, mais do dobro da recessão grega, e está ainda à procura de tocar num fundo, de par com o aumento do desemprego”, refere a nota de análise.

Além disso, a Hungria não recolheu os benefícios da política monetária independente e do aumento de competitividade, sublinha a analista, lembrando que o forint húngaro se depreciou menos do que o euro face ao dólar norte-americano nos últimos seis meses.

Maya Bhandari comenta igualmente que a aparente melhoria da situação orçamental da Hungria – que passou de um défice de 9,2% do PIB em 2006 para um défice estimado de 4% do PIB em 2009 – não toma em consideração as perdas das empresas estatais.

“Até que ponto é que o contágio passa da Grécia para a Hungria é ainda algo que está para se ver. De qualquer das formas, os bancos e a moeda húngara deverão sofrer uma correcção”, prevê a analista da Lombard Street Research, citada pelo “FT Alphaville”.

Recorde-se que a Hungria está em plenas eleições legislativas. A primeira volta (ganha pelo partido de oposição de direita) decorreu a 11 de Abril e a segunda volta está marcada para o próximo dia 25 de Abril.


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