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Direita ganha, socialistas e liberais perdem. Eis o novo Parlamento Europeu pós-Brexit

A saída do Reino Unido da União Europeia a 31 de janeiro vai obrigar a uma reformulação no Parlamento Europeu. A saída dos eurodeputados britânicos e a redistribuição parcial dos lugares dá mais ganhos à direita enquanto socialistas e liberais perdem assentos.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 01 de Fevereiro de 2020 às 15:00
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São 73 os eurodeputados britânicos que vão abandonar o Parlamento Europeu agora que a saída do Reino Unido da União Europeia se concretizou esta sexta-feira, 31 de janeiro. O Partido Popular Europeu (PPE, democratas cristãos) será beneficiado, assim como a extrema-direita, ao passo que os socialistas (S&D) e os liberais (Renovar a Europa) vão ser prejudicados. 

27 dos assentos deixados vagos pelo Reino Unido serão redistribuídos por 14 Estados-membros de forma a reequilibrar o número de eurodeputados por país. Espanha e França ganham cinco eurodeputados cada, seguindo-se Itália e Holanda com mais três e a Irlanda com mais dois, entre outros países que ficam a ganhar um eurodeputado. Portugal fica com o mesmo número e nenhum Estado-membro perde lugares. 

Os restantes 46 lugares ficam por preencher para futuros alargamentos da UE a novos países e/ou para a possível criação de uma lista transnacional no futuro. Assim, após o Brexit, a assembleia europeia fica com 705 eurodeputados, o que compara com os 751 anteriores, de acordo com um documento preparado pelos serviços do Parlamento Europeu. Mas quem sai a ganhar e a perder?
Entre as saídas e as entradas, o PPE é o partido que mais sai beneficiado ao somar cinco eurodeputados aos 182 que já tem, solidificando a posição de maior partido europeu. Segue-se o Identidade e Democracia (ID) - o grupo que junta a extrema-direita alemã, francesa e italiana - que ganha três lugares. Estes dois partidos não perdem nenhum lugar com a saída do Reino Unido dado que não tinham eurodeputados britânicos. 

A maior queda é dos liberais que encolhem 11 lugares ao verem partir o Partido Liberal britânico (menos 17 eurodeputados), apesar de serem os que mais ganham com a redistribuição parcial dos lugares (mais seis eurodeputados). Seguem-se os verdes europeus (onde estavam os verdes britânicos) com menos sete eurodeputados - que são ultrapassados em número de eurodeputados pela extrema-direita - e os socialistas (onde estava o Partido Trabalhista britânico) com menos seis eurodeputados. No total, estes três partidos têm uma perda líquida de 24 eurodeputados.

Apesar de a atual coligação que aprovou a Comissão de Von der Leyen ter perdido eurodeputados, a redução do tamanho do Parlamento Europeu até acabou por beneficiar essa maioria. De acordo com os cálculos do Negócios, o PPE, S&D e Liberais tinham uma maioria de 59% que passa agora para 61,4%. Contando com os Verdes, a maioria passa de 69% para 71% na nova composição. Reforça-se assim o peso das forças europeístas na assembleia europeia.

Além disso, a saída dos 26 eurodeputados do Partido do Brexit (classificados como não inscritos dado que não estavam em nenhum grupo parlamentar) de Nigel Farage, que ganhou as eleições europeias de maio do ano passado no Reino Unido, também contribui para reduzir o número de eurodeputados eurocéticos.

Esta é uma estimativa com base nos resultados das eleições nacionais e nas ligações partidárias já conhecidas, mas pode haver surpresas que levem a mudanças no equilíbrio de poder no Parlamento Europeu. Além disso, há ainda o prolongamento da suspensão do partido de Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro, do PPE, surgindo rumores sobre uma possível saída voluntária do Fidesz para outro grupo ou um novo grupo parlamentar, o que poderá custar 14 eurodeputados ao maior partido europeu.

Houve também uma recomposição das comissões parlamentares com a comissão da Indústria, Investigação e Energia, a comissão do Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar e a comissão do Comércio Internacional a ganharem mais eurodeputados.
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