Conjuntura Dívida das empresas voltou a subir em 2016 com a ajuda das compras do BCE

Dívida das empresas voltou a subir em 2016 com a ajuda das compras do BCE

Dívida das empresas cresceu em dois trimestres consecutivos em 2016, o que não acontecia desde 2012. Aumento resulta de emissões de obrigações que ocorram nos meses após o arranque das compras do BCE que beneficiaram Portugal.
Dívida das empresas voltou a subir em 2016 com a ajuda das compras do BCE
Reuters
Rui Peres Jorge 03 de maio de 2017 às 12:26

O programa de compra de obrigações de empresas do BCE teve o seu maior impacto nos custos de financiamento das empresas nacionais, mostra uma análise do Banco de Portugal no Boletim Económico de Maio de 2017, no qual o banco central também dá conta de um aumento de crescimento do crédito a empresas portuguesas em dois trimestres consecutivos o que não acontecia desde 2012, obtido exactamente por emissões de títulos.

"A taxa de variação anual do crédito total concedido às empresas registou (…) um valor positivo no final do segundo semestre de 2016. Contudo é de registar o contributo dominante do crédito obtido junto de entidades não residentes, concentrado quase exclusivamente na emissão de títulos de dívida", lê-se no introdução do Boletim Económico de Maio, publicado a 3 de Maio, que faz um balanço da evolução da economia em 2016, e no qual se acrescenta que desta forma "foi possível compensar a nova redução do stock de empréstimos bancários concedidos por bancos residentes, o que configura uma via alternativa de para o financiamento de projectos de investimento".

A análise do banco central mostra que "a taxa de variação anual do crédito total concedido a sociedades não financeiras registou um valor positivo de 0,5% no final de 2016. Esta evolução foi afectada por um aumento significativo do crédito obtido junto de entidades não residentes, que contribuiu com 3,2 pontos percentuais para a taxa de variação anual. Refira-se que este aumento de crédito se concentrou quase exclusivamente na emissão de títulos de dívida", lê-se mais à frente no relatório, que dá conta de uma redução do crédito concedido pelos bancos. As empresas mais favorecidas foram, sem surpresa, as de maior dimensão, que são também as que têm acesso facilitado a financiamento externo, nomeadamente por emissões de obrigações.

BCE baixa juros das empresas

No mesmo relatório o Banco de Portugal nota que o programa de compra de obrigações de empresas do BCE (CSPP), lançado a 10 Março de 2016, teve impactos muito significativos na redução dos custos de financiamento das empresas portuguesas nos trimestres seguintes.

Nos três dias que se seguiram ao anúncio do CSPP, as taxas de juro das obrigações com elevada notação de risco caíram 65 pontos base em Portugal, o que compara com 14 pontos na Alemanha e na média da área do euro, 13 pontos base em França, e 19 pontos base em Itália e Espanha. O maior impacto sentiu-se logo após o anúncio, mas continuou, embora com menor dimensão. O Banco de Portugal não apresenta dados para o impacto nas taxas de juro das obrigações de bancos nacionais e encontra efeitos semelhantes nas obrigações de alto risco: 64 pontos em Portugal, contra 58 pontos de média na Zona Euro.  

"Embora outros factores possam ter influenciado os custos de financiamento das empresas e pesado na escolha entre emissão de dívida ou obtenção de crédito bancário, os movimentos descritos acima parecem indicar que o CSPP tem conseguido o efeito pretendido nas condições de financiamento da economia", avalia o banco central que nota que os custos de financiamento caíram e permanecem baios, e que há mais emissões de dívida.




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