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Dívida dos PALOP a Portugal sobe para mil milhões de euros

A dívida dos PALOP a Portugal ascendia a 1,352 mil milhões de dólares (1,064 mil milhões de euros) em 2005, um valor que representa um crescimento de 1% face ao verificado no ano anterior. As exportações para os PALOP cresceram fortemente e o investimento

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 12 de Setembro de 2006 às 11:21
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A dívida dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a Portugal ascendia a 1,352 mil milhões de dólares (1,064 mil milhões de euros) em 2005, um valor que representa um crescimento de 1% face ao verificado no ano anterior. As exportações para os PALOP cresceram fortemente e o investimento mais que duplicou.

De acordo com um estudo divulgado hoje pelo Banco de Portugal, este crescimento na dívida dos PALOP a Portugal "retoma a trajectória ascendente interrompida em 2004 pela diminuição que resultou do Acordo de reescalonamento da dívida então celebrado entre Angola e Portugal".

De acordo com a mesma fonte, a subida registada em 2005 reflecte o acréscimo evidenciado pela dívida a médio e longo prazos garantida pelo Estado (+23 milhões de dólares), apesar da descida patenteada pela dívida directa ao Estado ( menos 9 milhões de dólares).

A dívida oficial de Angola a Portugal denotou nova descida em 2005, com o pagamento de parte da dívida vincenda de médio e longo prazos garantida pelo Estado e do remanescente de atrasados, diminuindo 4 milhões de dólares no total.

Ainda assim, a dívida de Angola a Portugal ascendia em 2005 a 699 milhões de dólares, representando 51,7% do total. A dívida de Angola a Portugal atingiu um pico de 850 milhões de dólares em 2003.

A dívida oficial de Moçambique a Portugal manteve a trajectória descendente iniciada em 1998, com o cumprimento do serviço da dívida a médio e longo prazos garantida pelo Estado. Totaliza agora 28,6% do total dos PALOP.

Cabo Verde deve 131 milhões de dólares a Portugal (9,7% do total), Guiné Bissau 102 milhões de dólares e S. Tomé e Príncipe 34 milhões de dólares.

Exportações crescem 16,5%

O relatório do Banco de Portugal mostra também que "as relações comerciais de Portugal com os PALOP e Timor-Leste apresentaram alguma dinâmica em 2005".

Registou-se um crescimento de 16,5% nas exportações, para 1,058 mil milhões de euros, e de 63,3% nas importações, para 66,3 milhões de euros, invertendo a tendência de redução dos últimos anos.

"Apesar do incremento registado, o peso das relações comerciais com estes países é ainda reduzido, representando apenas 3.45% das exportações e 0.14% das importações totais portuguesas em 2005", assinala o Banco de Portugal.

O saldo da balança comercial de Portugal com os PALOP e Timor-Leste evidenciou novo crescimento em 2005 (+14,3%), elevando-se a 992,2 milhões de euros.

Segundo o Banco de Portugal, o crescimento das exportações deveu-se sobretudo ao incremento nos produtos enviados para Angola -128,2 milhões de euros, +19,1% que em 2004.

Investimento directo mais que duplica

Em 2005 o investimento líquido português nos PALOP e em Timor-Leste mais que duplicou em 2005, atingindo 58,62 milhões de euros. "Esta evolução resultou principalmente da forte redução evidenciada pelo desinvestimento (-64% que em 2004) uma vez que o volume de novo investimento directo de Portugal nestes países sofreu igualmente um decréscimo (de 29%), fixando-se em 97,05 milhões de euros".

Angola mantém-se como o maior destino do investimento realizado por Portugal nestes países (66,6% do total, apesar da quebra registada face a 2004), seguido de Moçambique (25,4%, invertendo a tendência descendente dos últimos anos) e de Cabo Verde (6,4%, mantendo a trajectória de descida em termos nominais iniciada em 2002).

O investimento directo realizado por Portugal em Angola em 2005, num total de 64,59 milhões de euros (menos 38,50 milhões de euros que em 2004, ano em que se registou um montante excepcionalmente alto no sector das Actividades financeiras), foi sobretudo destinado aos sectores Actividades financeiras e Actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas, os quais, no seu conjunto, representaram 84% do total para Angola.

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