Obrigações Dívida é sustentável? “Está nas mãos de todos sermos mais produtivos para pagá-la”, diz Casalinho

Dívida é sustentável? “Está nas mãos de todos sermos mais produtivos para pagá-la”, diz Casalinho

A presidente do IGCP diz que a dívida é sustentável, que a economia portuguesa está melhor e que, por isso, a DBRS não cortará o "rating" de Portugal. Apreciações num encontro do American Club of Lisbon, onde considerou ainda "saudável" o leilão de dívida desta quarta-feira.
Dívida é sustentável? “Está nas mãos de todos sermos mais produtivos para pagá-la”, diz Casalinho
Miguel Baltazar/Negócios
André Tanque Jesus 20 de abril de 2016 às 18:23

"Será a divida de Portugal sustentável?" Este foi o mote de mais um almoço do American Club of Lisbon, que teve Cristina Casalinho como oradora convidada. Após a elogiosa introdução por Camilo Lourenço, a presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) foi directa ao objectivo. Reflectiu acerca da economia portuguesa, tanto sobre o ajustamento de que foi alvo, como também acerca das perspectivas para o futuro. No fim, veio a resposta ao mote do encontro.

"Está nas mãos de todos nós sermos mais produtivos para conseguirmos pagar a dívida". Esta foi a tirada de Cristina Casalinho, quando questionada por um dos presentes no almoço organizado esta quarta-feira, 20 de Abril, pelo American Club of Lisbon. E foi pela dívida pública que a responsável máxima do Tesouro iniciou a sua intervenção: "Portugal é um dos países com uma maior dívida externa do mundo".

Cristina Casalinho abordou, então, as diversas melhorias da economia nacional, nomeadamente "o sucesso recente das exportações" baseado na diversificação geográfica. Contudo, salientou, "a taxa de poupança tem sido sempre um dos nossos calcanhares de Aquiles". Ainda assim, destacou as melhores condições de financiamento alcançadas por Portugal, apesar de a evolução este ano ser "mais modesta".

Incontornável acabou por ser a revisão ao "rating" para Portugal, que a DBRS tem agendada para 29 de Abril. "A notação que actualmente existe foi atribuída numas condições que, entretanto, verificaram melhoria", nota Cristina Casalinho. Por isso, salientou a presidente do Tesouro, "se for com base em argumentos de evolução, achamos que a probabilidade [de uma revisão em baixa] é reduzida".

Leilão "saudável"

"Nunca se deve surpreender os investidores". Cristina Casalinho defende que este é um dos ingredientes para uma boa gestão da dívida pública. Mas também é preciso "ser absolutamente flexível para acomodar situações não antecipadas". Isso foi o que aconteceu em Fevereiro, altura em que a dívida portuguesa ficou sob forte pressão no mercado secundário.

Agendado estava o leilão de dívida de curto prazo que o IGCP realizou esta quarta-feira. "Já não é a primeira vez que temos ordens com taxas de juro negativas" a três meses, constatou a responsável do Tesouro. Mas destacou, em declarações aos jornalistas, que "foi saudável ver não só os preços, mas também os montantes" alcançados na operação.

Portugal colocou 1,1 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro a três e 11 meses, sendo que a procura dos investidores ascendeu a 1,9 mil milhões. Isto numa operação em que o Tesouro voltou a registar taxas de juro negativas, desta feita nos títulos com maturidade mais curta.

Mas Cristina Casalinho foi ainda questionada sobre o possível impacto que a turbulência na banca nacional poderá ter nos investidores. "São sempre elementos perturbadores", admitiu a presidente do Tesouro, para logo relembrar que os casos BES e Banif não impediram o Estado de se financiar nos mercados. E esse foi precisamente um dos focos de Camilo Lourenço: numa alusão aos prémios que o IGCP tem conquistado, concluía que, agora, só falta um que distinga Cristina Casalinho por ter guiado o financiamento do país com sucesso, num período de grande turbulência, considerou. 




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