Política Monetária Draghi: Inflação ainda está dependente dos estímulos do BCE

Draghi: Inflação ainda está dependente dos estímulos do BCE

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, responde esta segunda-feira perante os eurodeputados. Este é o seu primeiro debate do ano com o Parlamento Europeu.
Margarida Peixoto 26 de fevereiro de 2018 às 16:03
O Banco Central Europeu (BCE) estima que as suas medidas de estímulo à Zona Euro deverão somar 1,9 pontos percentuais ao crescimento do conjunto da moeda única, e outros tantos à inflação, no período entre 2016 e 2020. Os cálculos foram revelados esta segunda-feira por Mario Draghi. Perante o Parlamento Europeu, o presidente do BCE defendeu que a inflação continua dependente dos estímulos monetários.

No seu primeiro diálogo deste ano com os eurodeputados, e a cerca de uma semana da próxima reunião de política monetária (que está agendada para quinta-feira, 8 de Março), Mario Draghi sublinhou a dependência do rumo da inflação das medidas de estímulos do BCE.

"As nossas medidas colocaram a economia da Zona Euro num caminho de crescimento sólido, conduzido pelas dinâmicas endógenas domésticas e por isso mais resistentes a um potencial abrandamento da procura global", frisou Draghi. Contudo, "a inflação ainda tem de mostrar sinais mais convincentes de um caminho sustentado de ajustamento", argumentou.

E disse mesmo que os estímulos ainda não são dispensáveis. "A evolução da inflação continua crucialmente condicionada em grande medida pelos estímulos monetários resultantes do conjunto completo de medidas de política monetária", frisou, enumerando as várias formas de intervenção: "as compras líquidas de activos, o elevado stock de activos adquiridos e os próximos reinvestimentos e a política de comunicação dos movimentos futuros ('forward guidance') das taxas de juros".

Ou seja, apesar de reconhecer que a economia da Zona Euro está a crescer de forma "robusta", e de antever uma nova melhoria no mercado de trabalho, com a redução do desemprego, Draghi sinaliza a importância dos estímulos. Além disso, o presidente do BCE notou que "a recente volatilidade nos mercados financeiros, nomeadamente também da taxa de câmbio, merece uma monitorização próxima das possíveis implicações para a estabilidade de preços no médio prazo". Ou seja, a incerteza permanece.

Na quarta-feira será conhecida a estimativa rápida da inflação da Zona Euro. Em janeiro o valor ficou em 1,3%, mas a expectativa dos analistas ouvidos pela Bloomberg é que baixe para 1,2% em Fevereiro.

A acta da reunião de 25 de Janeiro dos governadores do BCE revelou que havia já vozes a favor de uma alteração da comunicação sobre o fim da política de estímulos, mas venceu a posição de deixar tudo inalterado. Neste momento o BCE tem em vigor um programa de compra de compra de activos de 30 mil milhões de euros por mês, que está previsto durar até Setembro deste ano. Um possibilidade será estender este programa para lá desta data, mas com um montante mais reduzido.



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