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Draghi pede aumento da dívida pública e empréstimos da banca a custo zero

O antigo presidente do BCE diz que devem ser os governos a absorver os custos da pandemia do novo coronavírus e que é necessário mobilizar "imediatamente" todo o sistema financeiro.

Francois Lenoir/Reuters
Rita Faria afaria@negocios.pt 26 de Março de 2020 às 11:12
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Mario Draghi, antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE), considera que a atual pandemia do novo coronavírus resultará, inevitavelmente, numa "recessão profunda". É preciso evitar, porém, que essa recessão se transforme numa "depressão prolongada", agindo com força e rapidez suficientes.

Mas como? Num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no Financial Times, o antigo líder da autoridade monetária defende que a resposta tem obrigatoriamente de envolver um aumento significativo da dívida pública. "A perda de rendimento do setor privado – e qualquer aumento da dívida para preencher a lacuna – tem de ser absorvida, na totalidade ou em parte, nos balanços dos governos", afirma Draghi.

O antigo presidente do BCE, que, em 2012, prometeu fazer "tudo o que for preciso" para salvar o euro, sublinha que dívida pública mais alta vai tornar-se uma característica "permanente" das nossas economias, mas que é dever dos Estados usar os seus balanços para proteger "os cidadãos e a economia de choques de que o setor privado não é responsável e não consegue absorver".

Contudo, Draghi sublinha que a prioridade não deve ser apenas garantir o rendimento dos que perderam o emprego: é preciso sim evitar "que as pessoas percam o seu emprego, em primeiro lugar", o que exigirá apoios imediatos para garantir liquidez.

"Isso é essencial para as empresas cobrirem os seus custos operacionais durante a crise, sejam elas grandes empresas ou pequenas e médias empresas e empreendedores independentes", refere.

Draghi diz que a única forma de o fazer eficazmente é mobilizando todo o sistema financeiro, "imediatamente" e sem burocracias. Os bancos devem facilitar a concessão de crédito e emprestar a custo zero a empresas que consigam manter os postos de trabalho.

E, nesse caso, estando os bancos a atuar como veículo de transmissão de políticas públicas, o capital de que necessitarem para o fazer dever ser fornecido pelo governo na forma de garantias estatais. "Nem a regulamentação nem as regras de colateral devem impedir a margem necessária nos balanços dos bancos para esse fim. Além disso, o custo dessas garantias não deve basear-se no risco de crédito da empresa que as recebe, mas deve ser zero, independentemente do custo de financiamento do governo que as emite", detalha.

O antigo presidente do BCE sublinha que a rapidez "é absolutamente essencial para eficácia" e avisa que os custos da hesitação "podem ser irreversíveis".

"Diante de circunstâncias imprevistas, uma mudança de mentalidade é tão necessária nesta crise como seria em tempos de guerra. O choque que estamos a enfrentar não é cíclico. A perda de rendimentos não é culpa de quem sofre com isso. Os custos da hesitação podem ser irreversíveis", conclui.

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