Mundo Draghi: “Se pomos tarifas nos aliados, questionamo-nos sobre quem são os inimigos?”

Draghi: “Se pomos tarifas nos aliados, questionamo-nos sobre quem são os inimigos?”

O presidente do BCE rejeita falar de uma “guerra comercial” considerando que é cedo para isso. Mas deixa avisos sobre o impacto da troca de ameaças na economia e no consumo privado.
Draghi: “Se pomos tarifas nos aliados, questionamo-nos sobre quem são os inimigos?”
Lusa
Margarida Peixoto 08 de março de 2018 às 14:15

Mario Draghi, questionado pelos jornalistas sobre a ameaças de imposição de tarifas sobre as importações de aço e alumínio por parte dos EUA, demonstrou alguma preocupação em torno das relações comerciais, ainda que considere cedo para se falar numa guerra comercial. 

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, defende que não se devem tomar medidas de forma unilateral, no que que ao comércio diz respeito. "Decisões unilaterais são perigosas", salientou o responsável durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião mensal da autoridade, e onde se decidiu manter a política monetária tal como está. Mas houve uma mudança: o BCE deixou cair no seu discurso a disponibilidade para aumentar o programa de compra de activos.

 

Draghi demonstrou "alguma preocupação sobre o estado das relações internacionais", sublinhando que "se pomos tarifas nos aliados, questionamo-nos sobre quem são os inimigos".

 

Questionado sobre que impacto a imposição de tarifas por parte dos EUA pode ter, Draghi começou por dizer que, no "imediato, não será grande", até porque é preciso ter outras questões em consideração. Há "muitos factores que entram em linha de conta. Primeiro: haverá retaliação?"

 

Outra questão a ter em conta é "qual será a resposta da taxa de câmbio? Supostamente seria o dólar apreciar, mas as coisas mudam de tempos a tempos", salvaguardou.

 

Draghi rejeitou ainda chamar à actual situação de "guerra comercial", mas "há outro efeito destas afirmações sobre o comércio: que é o da confiança. O efeito negativo na confiança será negativo tanto para a inflação como para o PIB".




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