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Draghi afirma unanimidade no BCE em aumentar balanço para 3 biliões de euros (act.)

O presidente do BCE reafirma o objectivo que tinha avançado há umas semanas, desta vez com a assinatura de todos os membros do Conselho de Governadores, e diz que mandatou o seu "staff" estudar novas compras de activos, entre os quais a polémica dívida pública.

Bloomberg
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 06 de Novembro de 2014 às 14:24
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Foi a polémica da semana e Draghi não quis deixar margem para dúvidas na conferência de imprensa de quinta-feira: a meta de expansão do balanço do banco central para valores próximos dos três biliões de euros ficou inscrita na declaração que, como é hábito, abre o encontro mensal com os jornalistas, a qual sintetiza os resultados da reunião mensal e é assinada por todos os governadores. Esta foi a respostado às notícias desta semana que davam conta do desconforto de vários governadores quanto a esse compromisso que, até agora, tinha apenas sido referido por Mario Draghi.

 

Na conferência de imprensa o italiano que lidera a autoridade monetária voltou a afirmar que o BCE deixará a taxa de juro central no mínimo de 0,05% por um longo período de tempo, e reafirmou todos os objectivos e compromissos assumidos anteriormente, nomeadamente o plano de aumentar o balanço do banco central para valores em torno dos 3 biliões de euros, uma subida de 50% face à dimensão actual. Mas foi ainda mais longe, e anunciou que o BCE, por unanimidade, mandatou o seu "staff" para estudar novas medidas, caso se venha a revelar necessário ir mais longe, ou seja, não hesitará em avançar para compras de dívida pública se as expectativas de inflação cairem.

 

"No mês passado começamos a comprar "covered bonds" [obrigações sobre hipotecas e obrigações sobre crédito bancário ao sector público] dentro de um novo programa. E em breve começaremos a comprar "asset backed securities" [dívida titularizada com créditos a empresas como activos subjacentes]. Os programas durarão dois anos. Juntamente com as operações de refinanciamento de longo prazo, que serão conduzidas até Junho de 2016, estas compras de activos terão um impacto significativo no nosso balanço, que deverá evoluir para a dimensão que teve no início de 2012", afirmou Mario Draghi na declaração escrita inicial que leu em Frankfurt para, já na sessão de perguntas e respostas, frisar que esta é "assinada por todo o Conselho do BCE por unanimidade".

 

A mensagem que pretendeu passar foi clara: não há qualquer motim dentro do BCE – como indiciado por peça da Reuters esta semana, que falava de vários governadores desconfortáveis com a liderança pouco colegial e os compromissos assumidos por Draghi. O sinal de força de Mario Draghi não agradará aos que dentro da autoridade monetária, com destaque para Jens Weidmann, o presidente do poderoso banco central alemão, se opõem ao excessivo activismo do BCE nos mercados e a uma possível evolução para um programa de compra de dívida pública.

 

E para que não restassem dúvidas sobre o empenho do BCE a combater a inflação baixa na Zona Euro – que Outubro ficou nos 0,4% – Draghi foi ainda mais longe, e reafirmou que o BCE admite medidas adicionais, onde se destaca a compra de dívida pública, tendo mesmo mandatado as equipas técnicas do banco para estudarem o que será necessário para avançar nesse caminho.

 

"Se for necessário lidar com mais riscos de inflação baixa por um período excessivo de tempo, o Conselho do BCE é unânime no seu compromisso de usar instrumentos adicionais não convencionais dentro do seu mandato". E nesse sentido, o Conselho mandatou "o staff do BCE e os comités relevantes do eurosistema para garantir a atempada preparação da implementação de medidas adicionais se tal se revelar necessário".

 

"A conferência de imprensa do BCE foi uma demonstração de unidade e de preparação para actuar" analisou numa nota enviada a clientes Christian Schulz, economista do  Berenberg Bank, que acrescentou: "O BCE está claramente mais entusiasta sobre a expansão do seu balanço e o alívio quantitativo", defendendo que os críticos dentro do BCE estão a flexibilizar as suas posições perante a evidência de que economias que tiveram programas de "quantitative easing", como EUA, Reino Unido, têm crescimento mais rápido e ainda não têm inflação.

 

Em reacção à conferência de imprensa o euro caiu 0,5% para 1,2422 dólares, o que pode ser lido como um sinal de maior confiança na actuação do BCE. As bolsas europeias permaneceram em terreno positivo, mas sem variações assinaláveis. 

 

O presidente do BCE anunciou ainda quinta-feira que, após vários meses de análise, a instituição estará preparada para tomar uma decisão na próxima reunião sobre a publicação das actas das reuniões do Conselho. Draghi não avançou se planeia divulgar o nome dos governadores que defendem cada medida ou política, afirmando que a publicação deverá preservar "a independência de cada um dos membros" e servir para "dar mais informação aos mercados". 

 

(Notícia em actualizada às 15h20 com os seis últimos parágrafos)

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